Comunidade do Bananal, uma experiência única de etnoturismo na fronteira Norte

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O ambiente com gramado natural faz parecer que a comunidade vive sob um imenso tapete verde (Foto: Sorayda Brito)
Gramado natural faz parecer que comunidade vive sobre um tapete verde (Foto: Sorayda Brito)

Localizada a 210 Km de Boa Vista pela BR-174 norte, a comunidade indígena do Bananal, no Município de Pacaraima, é uma opção para quem quer ter contato com o etnoturismo. O acesso é fácil, pois a rodovia federal é toda asfaltada. O visitante só terá que enfrentar 10Km de estrada de piçarra a partir da entrada, do entroncamento com a BR-174 até a sede da comunidade.

Não espere encontrar por lá farta produção de banana, como o nome sugere, pois uma praga de sigatoka negra quase dizima a produção, na década de 90. O forte de lá é mesmo a paisagem irretocável da natureza em uma comunidade de 200 habitantes, os quais vivem praticamente ao sopé da Serra de Pacaraima, que é uma das opções de turismo aventura para quem gosta de ver o mundo lá de cima.

Clima serrano é um dos atrativos de turistas que vêm inclusive do exterior (Foto: Sorayda Brito)
Clima serrano é um dos atrativos de turistas que vêm inclusive do exterior (Foto: Sorayda Brito)

A grama natural por toda a extensão da sede do local faz pensar que todos ali moram em cima de um tapete verde, com a serra como se fosse um monumento natural que pode ser visto de qualquer parte que se andar por entre as casas com estrutura de madeira e cobertas por telhas, em sua maioria.

Pela influência da religião – lá a maioria da população é adventista do Sétimo Dia -, não há problemas de alcoolismo e a organização é uma marca da comunidade. Embora exista o impedimento de “guardar o sábado”, há membros da comunidade que não se converteram à religião e que trabalham como guias turísticos como alternativa de renda.

O principal deles é o professor indígena da etnia Taurepang, Mozarildo Contrera de Lima, 40 anos, que tenta disseminar o etnoturismo não só naquela comunidade, mas na região vizinha à Venezuela, onde ele vive, transitando entre as duas fronteiras. Conhecido como Taure, ele divulga seu trabalho na rede social Facebook, onde tem um perfil e mantém a página Etnoturismo Indígena.

O professor indígena Taure é o fomentador do etnoturismo na fronteira norte
O professor indígena Taure é o fomentador do etnoturismo na fronteira norte

Foi Taure quem levou o site Roraima de Fato para conhecer a comunidade do Bananal. Embora muitos roraimenses desconheçam as belezas desse lugar bem estruturado, também é por causa da religião que ela é visitada por estrangeiros evangélicos, que buscam nesta região, ao Norte do Estado, na fronteira com a Venezuela, o contato com a natureza e as aventuras em corredeiras, cachoeiras e a trilha na Serra de Pacaraima.

Corredeira fica dentro da comunidade do Bananal, pouco conhecida do público
Corredeira dentro da comunidade do Bananal, pouco conhecida do público (Foto: Sorayda Brito)

Na comunidade tem uma pequena corredeira para receber os visitantes que não estão a fim de caminhar muito. Porém, com duas horas de caminhada, existe uma cachoeira, onde é possível acampar para os que preferem contato maior com a natureza, como preferem os brasileiros do Sul e Sudeste do país que vão lá para fugir da selva de pedra.

A trilha rumo ao topo da Serra de Pacaraima é o maior prêmio aos aventureiros que querem ver a cidade de Pacaraima e a própria comunidade Bananal lá de cima. Os quase 900 metros até o ponto mais alto podem ser feitos em uma hora e meia por quem não tem pressa de chegar e aos que param para descansar.

Chegar ao topo de Serra de Pacaraima é um espetáculo à parte (Foto: Sorayda Brito)
Chegar ao topo de Serra de Pacaraima é um espetáculo à parte (Foto: Sorayda Brito)

Quando não está em período de forte seca, época em que os incêndios destroem e mudam a paisagem, a caminhada rumo ao topo é brindada com pequenos cursos d’água, pássaros como nambu-relógio, jacamim, mutum e jacu, além de animais silvestres como veado mateiro, anta, paca e macaco.

VIVENDO ENTRE TRÊS CULTURAS

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Em uma comunidade estruturada, 60% das pessoas falam  Taurepang, português e castelhano

Dormir na comunidade é um momento único diante de um clima serrano que predomina em toda fronteira Norte do Estado. E na comunidade do Bananal tem energia elétrica gerada por motores a diesel que funcionam durante boa parte do dia até as 23 horas. Se não quiser ficar isolado do mundo, os moradores têm TV por meio de antena parabólica.

Uma conversa com os moradores e lideranças também é uma boa experiência para conhecer melhor esses moradores da última fronteira Norte do Brasil, com sua cultura fortemente influenciada por três realidades, a indígena, a da sociedade brasileira e da venezuelana. Muitos deles têm parentes Taurepang (ou Pemón, como essa etnia é chamada na Venezuela).

Por isso, cerca de 60% dos membros da comunidade do Bananal falam português, espanhol (castelhano) e Taurepang. Alguns familiares moram em outra comunidade perto do marco que divide os dois países, chamada de Tarau-Paru, que em português significa quartzo.

A realidade dessa comunidade é tão diferente que o principal acesso para se chegar lá é atravessando a fronteira, indo pela cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. O acesso pelo lado brasileiro só é possível fazer por carros com tração. Mas a história dessa comunidade vai ficar para outra oportunidade, quando o Roraima de Fato voltar por lá.

Comunidade Tarau-Paru fica na fronteira do Brasil com a Venezuela
Comunidade Tarau-Paru fica na fronteira do Brasil com a Venezuela, Norte do Estado

2 Comentários

  1. Caro Jessé, parabéns pela matéria, sou um admirador do seu trabalho. Abraço.

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