Paçoca de carne de sol, uma das comidas típicas de Roraima

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Esse é o tradicional ponto da paçoca no Km 100 do trecho norte da BR-174
Tradicional ponto da paçoca no Km 100 do trecho norte da BR-174

Quem costuma se aventurar pelas estradas de Roraima vai encontrar alguém vendendo paçoca de carne em algum ponto, uma das comidas típicas do Estado. A popularidade desse alimento entre viajantes se deve à praticidade de levá-lo sem fazer muito volume e porque pode passar vários dias sem qualquer tipo de conservação, já que é feito de carne de sol, ou seja, carne salgada colocada ao sol por vários dias para secar.

O ponto mais tradicional da venda da paçoca em Roraima é o “Quarto de Bode”,  que fica no Km 100 do trecho norte da BR-174, entre Boa Visa e Pacaraima, município na fronteira com a Venezuela. Com mais de três décadas de funcionamento, o local hoje serve como ponto de referência para viajantes, de descanso para condutores e para comer paçoca ou um lanche.

Mural com a história de Jerônimo Cabral, o Quarto de Bode

Esse restaurante típico de beira de estrada foi criado por Jerônimo Cabral, apelidado de “Quarto de Bode” (referência a seu corpo franzino), um dos pioneiros naquela região, quando a BR-174 era apenas um projeto, na piçarra, cujos transeuntes resumiam-se a moradores de áreas indígenas e fazendas ou aventureiros em direção ao garimpo da Venezuela.

Foi lá que a paçoca mostrou-se um alimento prático para os viajantes durante a dura jornada em uma estrada sem asfalto. E a fama correu mundo e hoje muitos param lá para também levar para casa a paçoca feita no pilão ao bom estilo dos tempos mais tradicionais. Recentemente, o local passou a ter Wi-Fi, o que é mais um motivo para uma parada obrigatória a fim de manter contato com o mundo e uma postagem nas redes sociais para os amigos saberem da viagem.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Paçoca com banana é uma comida tipicamente indígena
Paçoca com banana é uma comida tradicional (Foto: Divulgação)

Embora existam relatos que afirmem que a paçoca com banana tornou-se a comida tradicional de Roraima a partir dos tropeiros nordestinos que conduziam bois, há controvérsias. Há relatos em outros estados brasileiros de que esse alimento surgiu a partir dos índios.

Conforme a primeira versão de que a paçoca seria uma das heranças nordestinas, os tropeiros colocavam a manta de carne seca debaixo das selas de seus cavalos para servir de alimento a ser preparado durante as longas viagens, uma vez que ela não precisa de conservação. Conforme essa versão, na fricção entre o lombo do cavalo e a sela com o peso da pessoa cavalgando, a carne de sol passou por um processo de trituração.

Daí foi um passo para acrescentar a farinha, surgindo a paçoca, alimento que passou a ser adotado também pelos indígenas, os quais usavam o pilão feito de madeira para fazer a trituração de forma manual, como manda a tradição.

A farinha d’água, feita de mandioca, compõe esse prato típico. E a banana acabou sendo um complemento importante não apenas pela facilidade de encontrar esse fruto nas comunidades indígenas, farto nas roças em boa parte do ano, mas porque ela ajuda a paçoca a descer bem na garganta, sem engasgar. E se tornou uma combinação perfeita de bom paladar.

ORIGEM INDÍGENA DA PA’SOKA

Paçoca de Carne Seca - Pilão
Pilar paçoca com farinha exige cuidado (Foto: Divulgação)

Mas existe a versão de que a paçoca de carne seca originalmente é uma comida indígena desde os tempos de colônia, chamada em tupi de pa’soka (veja fonte aqui). Os índios tinham o costume de fazer a paçoca misturando farinha de mandioca com outras sementes, raízes, carnes e temperos.

Devido a sua praticidade, durabilidade, fácil transporte, versatilidade e sustância, a paçoca passou a ser utilizada também por bandeirantes, tropeiros, garimpeiros e outros aventureiros, que a guardavam em cestos, baús e embornais para que o alimento fosse levado em suas viagens e aventuras, se difundindo por todo país desde o Brasil Colônia.

Não foi à toa que, no tempo colonial, surgiu o ditado popular “estar por cima da carne seca”. Isso significava estar “bem de vida”, pois quem tinha reserva de alimento que podia durar por muito tempo significava uma situação próspera.

E por longo anos os pilões feitos artesanalmente de madeira vêm sendo usados nas comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras para fazer a paçoca de carne de sol, servida com banana. Ao longo dos anos, ela foi complementada e encorpada com outros temperos ou servida para acompanhar diversos pratos. Em Boa Vista, muitos restaurantes a quilo ofertam o reservatório de paçoca para o cliente se servir.

Seja qual for a história, a paçoca de carne de sol com banana é uma alimento muito gostoso de se saborear e prático para ser levado para aventuras ou longas viagens para o interior do Estado.  Em locais onde não há energia elétrica, é um alimento que serve de reserva para as comunidades indígenas ou para famílias da zona rural.

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