Hora de buscar alternativas

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Abertura do Tilín do Gringo, na década de 1950 Foto: PDF Paul and Joseph Hellings in Tepequem

Jessé Souza*

Um dos passeios mais interessantes na Serra do Tepequém, no Município de Amajari, é uma caminhada da Cachoeira do Cabo Sobral até a corredeira do Tilin do Gringo, que é uma fenda aberta entre as serras para desviar o curso das águas, feita no auge do garimpo de diamante, na década de 1950.

São quase duas horas de caminhada só de ida, mas o esforço vale a pena para quem quer ver de perto as marcas que o garimpo predatório deixou naquele extraordinário local, com sua exuberante beleza que ainda se recupera das feridas que ainda estão expostas.

A natureza resiste firme, apesar das marcas por todos os lados, como peças dos maquinários que parecem brotar do leito do rio e imensas dunas de cascalhos formadas por causa do solo escavado pelos garimpeiros, ao lado das crateras e encostas desbarrancadas por causa da busca pelo diamante.

Hoje, o turismo é a principal receita daquela ex-vila garimpeira, cujos moradores mais antigos ainda carregam na memória o passado movido pelo brilho do diamante e pelo sonho de ficar rico do dia para a noite. Hoje, o verde da vegetação e da água dos poços que restaram do garimpo, de tonalidade lembrando esmeralda, são a nova força do sonho daquela gente de Tepequém, um paraíso cercado de cachoeiras e corredeiras.
Mas esse sonho não é fácil, pois o poder público não tem uma política séria voltada ao turismo, a não ser os parcos recursos destinados ao setor e aquelas enganações de governo que finge que investe. Tudo é muito lento e burocrático.

Os empreendedores sentem-se só nessa empreitada, enquanto a natureza segue na luta para se desfazer das feridas do passado. Espremidos entre os empreendedores e o turista estão os moradores, que tentam se organizar de alguma forma, também esquecidos pelas autoridades.

Mas a natureza também não irá conseguir recompor-se sozinha se não houver uma política voltada para o turismo daquela e de outras regiões, pois junto com a desorganização vêm o lixo, a depredação e a exploração irracional dos recursos. E o sonho pode virar pesadelo mais uma vez em um Estado quebrado que não suporta mais a economia do contracheque. Os sinais vindos da política e da economia não são bons. É hora de buscar alternativas. E o turismo é uma delas.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com

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