Sou do tempo do garçom

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Imagem: Divulgação/Google

Jessé Souza*

Nunca fui afeito a franquias desde quando não existiam shoppings em Boa Vista, pois o atendimento nesses locais sempre exigiu um tratamento mecanizado, como se a moça ou o moço do caixa fosse obrigado a ser uma máquina fria e repetidora perante um cliente posto em fila que obrigatoriamente precisa ser conhecedor de todo o menu casa.

Quando os restaurantes do Aeroporto de Boa Vista faziam as vezes de uma praça de alimentação de shopping, eu evitava ir por lá, pois sempre existia atendente com cara de poucos amigos e que não sentia a mínima necessidade de ter um pouco de paciência e explicar os produtos ofertados pela casa.

Anos se passaram e eu pensava que isso iria ficar para trás, quando então eu mudaria de opinião em relação a um caixa dessas franquias coloridas e iluminadas, com seus menus saltitando nos painéis luminosos. Ledo engano. Parece que os atendentes desses locais são treinados a tratarem o cliente como um ser sem rosto e sem emoção.

Nada parecido com garçons e garçonetes que chegam e explicam ao cliente o cardápio e as normas da casa. Em alguns locais, onde a pessoa acaba se tornando um cliente contumaz, o garçom já sabe até qual será o pedido e ainda sugere algo de acordo com o gosto do “patrão”.

Tempos desses, fui a uma franquia que vende chocolates, perto do meu trabalho, e atendente fez cara feia quando eu e outra pessoa pedimos explicações sobre determinado produto, como se ela não tivesse obrigação de explicar e cativar o cliente, e como se a pessoa já tivesse obrigação de conhecer a casa. Dei meia volta e nunca mais voltei!

No shopping, neste domingo, questionei à moça do caixa se havia outros sanduíches com preços menores dos que estavam expostos. Para dizer um lacônico “não” de canto de boca, a moça fez uma cara tão estranha que cheguei a acreditar que eu havia feito uma pergunta idiota.

Ao fechar o pedido, a moça fez uma pergunta tão rápida, como se fosse uma metralhadora giratória e como se estivesse olhando para a imensidão do universo. Já chateado, franzi a testa e disse: “Coméquié?”. Para minha surpresa, ela estava me dando opções de tamanhos e preços diferenciados dos sanduíches, justamente o que eu havia perguntando antes.

Ou essas moças do caixa são treinadas para agirem como máquinas idiotas repetidoras de frases, prontas para ouvirem a resposta dentro de um roteiro, ou essas franquias acham mesmo que o cliente é um panaca. Eu continuo acreditando na segunda opção, pois elas tratam uma pessoa apenas como mais um na fila, e não como um cliente que precisa ser cativado e respeitado. Continuarei sendo do tempo do garçom e da garçonete.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com

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