Em Pauta

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Muito tarde…

Veio muito tarde a preocupação do Governo Federal com a questão da imigração dos venezuelanos que chegam às centenas semanalmente no Brasil a partir de Roraima. Embora tenha como um de seus fortes aliados o senador Romero Jucá (MDB), o presidente Michel Temer (MDB) fez pouco caso da situação, assim como a grande imprensa brasileira. Foi preciso que Boa Vista se transformasse em “acampamento a céu aberto” para o drama dos venezuelanos e do Estado de Roraima ganhasse repercussão.

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Agora será muito difícil colocar a casa em ordem, embora o controle na fronteira poderá ajudar a frear a entrada desordenada em Pacaraima, ao Norte  Estado Estado. Mas o estrago já está feito: os abrigos não suportam mais ninguém e estão em situação precária, as praças se tornaram acampamento improvisado, os criminosos estrangeiros já atravessaram a fronteira e ninguém sabe ao certo quantos venezuelanos estão em Roraima, para que se possa pensar em qualquer plano.

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O que tem amenizado o sofrimento dos estrangeiros é o espírito solidário de muitos roraimenses, que têm ajudado como podem, distribuindo alimentos e roupas, ou mesmo “adotando” famílias de venezuelanos, dando-lhes emprego e até mesmo acolhendo de alguma forma. Mas isso é apenas paliativo e as ações ficam cada vez mais difíceis, pois a fome pede urgência e a vulnerabilidade social é um chamariz para a criminalidade, que avança por meio do crime organizado. O tempo urge!

Sem qualquer ação federal na fronteira, venezuelanos migraram em massa para Boa Vista (FOTO: EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS)

De olho no curral

Inflado populacionalmente a partir da construção de unidades habitacionais nos últimos anos, o bairro Cidade Satélite não só tem registrado o aumento da violência urbana. Porém, enquanto a população cobra por segurança e ações sociais, os políticos têm visto aquele setor da cidade, na Zona Oeste de Boa Vista, como um potencial “curral eleitoral”. O maior conjunto habitacional daquela região e do Estado, o Vila Jardim, é o alvo preferido.

Popularidade

Vários políticos têm ido lá, no Vila Jardim, não apenas testar sua popularidade como também levado ações de cunho politiqueiro. Uma dupla de políticos, mãe e filho, recentemente foi lá levar um dia de ação social, como lazer para as crianças e serviços como corte de cabelo, atendimento médico e outras atividades das quais os moradores daquela localidade são carentes devido à ausência do poder público.

Moradores do Vila Jardim protestam em sessão itinerante da Câmara de Vereadores (FOTO: ASCOM/CMBV)

Ex-governadores

Às quartas-feiras, quando tem uma feira-livre ambulante no Vila Jadrim, alguns políticos pré-candidatos ao Governo do Estado e a outros cargos têm aparecido no local para dar tapinhas nas costas, bater fotos junto com eleitores e testar sua popularidade. Dois ex-governadores deram o ar de sua graça e sentiram reações distintas.

Vaias e tapinhas

O ex-governador Anchieta Junior (PSDB), que anda animado com sua pré-candidatura por causa do desastre do governo Suely Campos (PP), recebeu vaias, teve foto negada por um vendedor e acabou se retirando quando os feirantes começaram a bater panelas em protesto à presença dele. O ex-governador Chico Rodrigues (PSB) teve uma recepção diferente por parte dos vendedores e população ali presente, sem animosidade, com tapinhas, abraços, fotos e apertos de mão.

 

Rolo compressor

Senador Romero Jucá tenta emplacar pré-candidatura da prefeita Teresa Surita (FOTO: DUVULGAÇÃO)

Enquanto tem gente testando popularidade, a prefeita Teresa Surita (PMDB) parece que não está muito preocupada com isso, de tão confiante que está. Em conversas com correligionários e prováveis parceiros, ela confirma que vem trabalhando sua pré-candidatura ao Governo do Estado e que, caso seja candidata, pretende fazer como ocorreu na disputa pela Prefeitura de Boa Vista, quando passou o rolo compressor por cima dos vereadores. Ela infla o pulmão ao dizer que não deve nada a nenhum deles.

 

 

Cabresto e açoite

Pelo que tem mostrado, é isso mesmo que Teresa tem feito até mesmo com seus aliados na Câmara Municipal de Boa vista, ao tratá-los no cabresto e no açoite. Só que, pelos últimos acontecimentos, a realidade mostra que o buraco é mais embaixo quando se trata de Assembleia Legislativa, onde sua suposta pré-candidatura não tem respaldo nem mesmo entre partidários e aliados do seu grupo político. De lá o rolo compressor é maior.

Flores e truculência

A forma de administrar de Teresa Surita é truculenta e não tem nada de flores, como é sua marca visual. No Carnaval de Boa Vista, por exemplo, só participam blocos carnavalescos que rezam em sua cartilha. À menor crítica ou desconfiança, o grupo é excluído, a exemplo do que ocorreu com o Bloco do Mujica, que não se intimidou e atualmente faz um carnaval independente, na Avenida Ville Roy, no bairro São Vicente. Este ano, o bloco reuniu cerca de 10 mil pessoas.

Muito preocupado

O senador Romero Jucá (MDB), que tem andado muito preocupado com sua reeleição, vem enfrentado resistência para empurrar a prefeita Teresa Surita como sua pré-canditada ao Governo de Roraima. Na Assembleia Legislativa, enquanto tenta empurrar Teresa de goela abaixo, os seus aliados já disseram que não aceitam. E o senador sabe que seus planos de se reeleger e manter sua imunidade parlamentar, no país da Lava Jato, depende do apoio de seus aliados. E agora?

 

Jucá na mira do MPF

Emissora se chamava TV Caburaí: nova investigação em curso (IMAGEM: DIVULGAÇÃO)

O Ministério Público Federal em Roraima (MPF/RR) abriu nova investigação sobre uma concessão de emissora de TV que seria administrada pelo senador Romero Jucá (MDB). A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.  O procurador da República Érico de Souza determinou a instauração de inquérito civil para esclarecer as acusações de que Jucá seria o administrador de fato da TV Caburaí (Canal 8, hoje Band Roraima), o que é vedado pela Constituição.

Sem foro privilegiado

O inquérito civil foi aberto a partir do inquérito criminal,  que tramita há oito anos no Supremo Tribunal Federal (STF), com a finalidade agora de apurar possível improbidade administrativa por parte de Jucá, que é líder do governo no Senado e presidente nacional do MDB. Não há foro privilegiado para ações de improbidade. O inquérito civil aberto pelo MPF apura se Jucá era sócio oculto da então TV Caburaí e fez “operações simuladas de venda” da emissora para manter o seu controle.

Negócio em família

Conforme o inquérito, o senador resolveu transferir o seu controle à empresa Societat, em 2003, dando ao ex-deputado Rodrigo Jucá, seu filho, o controle da emissora no papel. Mas a alteração contratual só foi registrada em 2009 e, nesse intervalo, acumulou-se um passivo fiscal e trabalhista, além de processos judiciais, conforme publicação do jornal paulista. Posteriormente, a família Jucá teria simulado a entrega da TV Caburaí a uma terceira empresa, a Buritis, que  hoje controla a emissora. Seus sócios-administradores são Rodrigo Jucá e a mulher do senador, Rosilene Brito.

 

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