EM PAUTA

Share This:

Maduro anuncia plano para repatriar venezuelanos

Venezuelanos sem-teto esperam vaga em abrigo no bairro São Vicente (FOTO: SIMONE MIRANDA)

O difícil é acreditar, mas o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou um plano para levar de volta ao país os venezuelanos que emigraram nos últimos anos por causa da crise. Em um vídeo durante um evento chamado de Expo Venezuela Potência 2018, no dia 26 passado, Maduro afirmou que seu país vai se reerguer até 2022, quando irá receber de volta, “de braços abertos”, quem foi para outro país.

*

No vídeo, o presidente venezuelano ordenou o chefe do Estado venezuelano ao ministro de Economia, Simón Zerpa: “Eu quero que você me faça um plano especial para apoiar venezuelanos que tenham ido ao exterior, que tenham perdido tudo e queiram voltar pra trabalhar e ter seu negócio, ter sua empresa”. No evento, em Caracas, estavam presentes políticos e empresários, os quais foram evocados a construir esse plano de repatriação com a ajuda de quatro bancos públicos.

**

Maduro disse sentir tristeza pelas histórias que conhece “todos os dias” de venezuelanos que foram embora do país devido à “campanha permanente dos veículos de meios de comunicação e das redes sociais” e que agora sofrem “humilhações” no exterior ou estão “passando fome”. “Decidem vender a casa, o apartamento, o carro e vão embora. Seis meses depois retornam arruinados”, comentou.

***

Em seu discurso, Maduro disse ainda que, diante da crise que o país enfrenta, os cidadãos não deveriam deixar a Venezuela, mas “ficar, trabalhar e fazer da pátria a pátria mais bela e próspera que jamais se tenha conhecido no planeta Terra”. Porém, os comentários inflamados de cidadãos venezuelanos abaixo do vídeo postado com a fala de maduro resumem a confiança no plano de repatriação, que vão de palavrões a classificações de todos os tipos, principalmente corrupto.

Veja o vídeo:

Maduro anuncia nuevo plan "Regreso a la patria" para los Venezolanos en el Exterior que quieran volver a Venezuela.

Publicado por El Imperialista em Sexta, 27 de abril de 2018

Números do êxodo em massa

A Organização Internacional de Migração (OIM) estima em 1,6 milhão o tamanho da dispersão de venezuelanos para outros países nos últimos anos, inclusive há estudos que aponta até de quatro milhões de cidadãos que deixaram seu país desde que se instaurou a revolução bolivariana em 1999. Apesar de toda a flagrante realidade, Nicolás Maduro nega que exista um êxodo em massa de venezuelanos. Ele prefere falar que espera o retorno dos jovens que emigraram para “melhorar sua vida”. Só em Roraima, são mais de 40 mil venezuelanos que fugiram da fome e das perseguições políticas.

 

Data sem comemoração

Faixa de protesto em frente à sede da CERR (FOTO: FOLHA DE BOA VISTA)

O 1º de maio, quando se comemora o Dia do Trabalhador, não traz motivo para qualquer tipo de comemoração para os pais de famílias que atuam no serviço público, principalmente os estaduais da administração e indireta, que estão com salários atrasados, e os de terceirizadas. O quadro é desolador para estas categorias e de incertezas para as demais, pois estes não sabem se o governo terá recursos para pagar o próximo salário em dia. No Governo de Roraima, os trabalhadores da Companhia Energética (CERR) deflagraram greve no dia 19 de abril para cobrar o salário ainda de março.

 

Com salários atrasados

Servidores da Femarh têm feito seguidos protestos (FOTO: FOLHA DE BOA VISTA)

Mas há também os de outras empresas de economia mista, autarquias e instituições a exemplo da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) que não recebem mais em dia e precisam se submeter a uma cobrança ostensiva a cada mês. Os que trabalham nas empresas terceirizadas contratadas pelo governo já não recebem desde o início do ano e não sabem mais a quem recorrer, depois de vários protestos e apelos. O setor que mais sofre com esse problema é o da saúde pública, pois os funcionários terceirizados são geralmente os responsáveis pela limpeza dos hospitais e maternidade.

 

Servidores federal em protesto

Esse é o desenho da realidade do trabalhador roraimense que atuam no funcionalismo público estadual. Já os federais estão com salários congelados e sem perspectiva de reajuste para o ano que vem, já que não estão contemplados no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentários para 2018. Para a categoria, não resta outra alternativa senão protestar, assim como já vêm fazendo os servidores da CERR e terceirizados do governo estadual, que estão mobilizados desde o ano passado, com seguidas manifestações e protestos.

 

Reforma com precarização

Na iniciativa privada, o Dia do Trabalhador será o primeiro celebrado depois de a reforma trabalhista entrar em vigor, em 11 de novembro do ano passado. A introdução de mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) vem sendo comemorada pelos empresários, que ainda estão adequando seus contratos de trabalhos com o objetivo de reduzir seus gastos com trabalhadores. Isso significa, para o trabalhador, perdas de direitos, como a diminuição de salários e benefícios. O Governo Federal comemora a diminuição do número dos desempregados no país, mas o que ele não explica é a precarização da mão de obra.

Reforma trabalhista está em vigor desde 11 de novembro de 2017 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Menos de um salário

 

Um exemplo bem clássico é a contratação de trabalhadores com jornadas intermitentes, em que o funcionários fica à disposição do empregador para trabalhar e receber apenas quando for chamado. Isso possibilita que o valor mensal recebido pelo trabalhador seja menor do que o salário mínimo. Com uma remuneração inferior ao salário mínimo, os trabalhadores correm o risco de ficar sem direito à aposentadoria, uma vez que o recolhimento para a Previdência Social ficaria menor do que o aceito pelo INSS. Enfim, a data de hoje é mais para reflexão do que está por vir do que festa por estar trabalhando.

 

Fraude no seguro desemprego

Mas existe o outro lado da moeda. O Sistema de Detecção e Prevenção à Fraude no Seguro Desemprego (Antifraude), implantado pelo Ministério do Trabalho em dezembro de 2016, informou que conseguiu uma economia de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos até o final de março de 2018. Foram cerca de 61 mil requerimentos bloqueados nesse período, o que significa um valor de R$ 302 milhões em fraudes bloqueadas em todo o Brasil. Esses recursos seriam levados por quadrilhas organizadas que, ao longo do tempo, fraudaram e roubaram o dinheiro dos cofres públicos, mas que agora estão sendo identificadas e interceptadas, com o uso da tecnologia de ponta, segundo o ministro do Trabalho substituto, Helton Yomura.

 

Cancelamento de parcelas

A economia total, no montante exato de R$ 953.795.549,00 até agora, inclui a soma de R$ 301.901.564,00 em fraudes já bloqueadas e R$ 651.893.985,00 em ilícitos previstos. No primeiro caso, a fraude já ocorreu, mas o MTb conseguiu impedir o pagamento de parcelas previstas; no segundo, são consideradas fraudes evitadas desde o início do projeto, além de uma projeção da Coordenação do Seguro Desemprego de ilícitos que seriam cometidos nos próximos 12 meses, mas que foram impedidos com o uso da tecnologia. A previsão é de chegar ao total de R$ 1 bilhão em economia para os cofres públicos até esse mês de maio.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*