Hora repensar a esmola

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Em FOTO DE RODRIGO SALES, cena cotidiana em Boa Vista com o êxodo venezuelano: criança pedindo esmola 

Jessé Souza*

Há uns dez anos, quando crianças ficavam em estacionamentos ou na porta de supermercados pedindo moedas, surgiu uma campanha para que o boa-vistense evitasse dar esmolas a fim de não incentivar a mendicância e combater a permanência de meninos e meninas nas ruas. Deu certo. Era uma época que nem semáforos existiam na cidade e jamais alguém imaginaria que a Venezuela rica em petróleo iria quebrar.

Hoje a Prefeitura não faz mais festa quando instala um semáforo (aliás, a cidade necessita de mais) e os venezuelanos ocupam as sinaleiras para pedir ajuda, inclusive crianças estrangeiras perambulando à noite pelos bares, no complexo Ayrton Senna, no Centro, e nas portas de bancos pedindo dinheiro. Algumas sozinhas e outras na companhia de pais ou de outros familiares.

Existem casos de crianças, cujas famílias não conseguiram vaga em abrigos, que são forçadas a recorrerem à esmola. Porém, há quem use desse recurso na esperteza mesmo. É por isso que surge a necessidade de novamente ser lançada uma campanha de conscientização para se evitar que a esmola se torne instrumento de incentivo à esperteza e ao uso de crianças para conseguir dinheiro na rua, que é uma porta para a marginalidade.

Na quarta-feira passada, uma garota e sua família estavam sentadas na calçada, na porta da agência do Banco do Brasil da Avenida Glaycon de Paiva, no Centro, pedindo dinheiro. Todas estavam vestindo roupas sujas, e a menina tinha um urso de pelúcia igualmente maltrapilho. A cena chamava a atenção.

Eis que um adolescente bem vestido e de bicicleta, parou em frente ao banco. Ele tinha ido buscar a menina venezuelana, provavelmente irmã dele. Havia acabado o “plantão” da garota, pois já era perto das 18h. Ali estava revelada a esperteza em forma de farsa que usa a real necessidade dos venezuelanos para arrancar dinheiro das pessoas.

É por isso que a população precisa evitar a esmola como forma de não incentivar a mendicância e alimentar a malandragem com a exploração de crianças e adolescentes. A maioria dos venezuelanos precisa de ajuda e apoio, mas dar esmolas principalmente para crianças só vai piorar esse quadro criado pela imigração desordenada. Se querem ajudar uma criança, paguem comida, pois, como já vimos no passado, dar moedas é um incentivo à malandragem e à marginalidade.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Colaborador
jesseroraima@hotmail.com

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