Finalmente a crítica e o humor

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Jessé Souza*

Não era apenas na Justiça que os políticos se tornaram intocáveis, no país da esculhambação geral. Eles também estavam imunes a críticas e ao humor durante o período eleitoral. A Lei Eleitoral vedava que emissoras de rádio e TV publicassem sátiras e críticas aos candidatos, em um atentado à democracia por meio de uma flagrante proibição de se emitir opinião favorável ou contra quem postulava um cargo público ou buscava a reeleição.

A Operação Lava Jato, embora seletiva, acabou colocando nas grades figurões da política nacional, por decisão de juízes de primeira instância, pondo fim a uma impunidade histórica. Agora, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), foi julgado inconstitucional um trecho da Lei Eleitoral que blindava candidatos e políticos em campanha eleitoral à crítica e à irreverência do humor, que é um recurso legítimo de um país democrático.

Ao protegerem os políticos para deixá-los imunes a contestações, a Justiça acabou por colocar a crítica e o humor na clandestinidade, alimentando a sanha das notícias falsas como arma, as quais passaram a ser chamadas atualmente de fake news, quando as mentiras saíram da imprensa escrita e de panfletos apócrifos para ganharem vida na internet por meio da força das redes sociais e dos aplicativos de compartilhamento.

O que há de se destacar é que as fake news continuam proibidas, e já surgiram ministros falando que as notícias mentirosas podem trazer consequências sérias aos candidatos que as utilizarem como armas de guerra em suas campanhas eleitorais. As críticas e as sátiras podem ser contestadas por meio do sagrado direito de resposta, mas as notícias mentirosas são um crime a ser combatido veemente pela sociedade, porque elas são outro atentado à democracia.

É possível fazer uma campanha limpa e sadia por meio das críticas sérias e do bom humor. E foi justamente por ser uma ferramenta eficiente para alimentar o senso crítico da sociedade é que a crítica e o humor foram combatidos pelos políticos. Demorou muito para o STF tomar uma decisão a fim de restabelecer o caminho correto de uma sociedade, que não pode se esquivar de monitorar candidatos e políticos pelas armas do senso crítico.

Agora falta a maior Corte judicial do país começar a mandar os corruptos para a cadeia, pois até o momento o STF tem sido muito benevolente com a maioria de acordo com a cor partidária e rigoroso com alguns. Valendo destacar que o Supremo sempre se esquivou de julgar políticos com mandato, com ministros mandando soltar ao sabor de sua interpretação individual por meio de suas decisões monocrática. O STF está em grande débito com a nação.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Colaborador
jesseroraima@hotmail.com

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Um Comentário

  1. João Carlos Souto Maior Sarah

    Concordo principalmente com o destaque ao Supremo acovardado,que julga de acordo com a COR da bandeira partidária levantada pela República de Curitiba.

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