Vivendo de comparação e desculpas

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Jessé Souza*

A entrevista da governadora Suely Campos, na manhã de ontem, em uma rádio local, serviu para apresentar um resumo do que se tornou essa administração: o governo das desculpas. O repertório não mudou e, pelo que se ouviu, isso não mudará se o grupo político que comanda o Estado não encontrar uma saída criativa ou mágica para reverter o quadro atual, além de ficar jogando toda as culpas no governo anterior e de ficar comparando suas ações com as de seu antecessor.

Qualquer leigo sabe que a comparação é a pior forma de se fazer política, seja por falha em sua comunicação ou por falta mesmo do que mostrar. A propósito, ao responder a respeito de sua rejeição como pré-candidata a reeleição, a governadora alegou que tem sido alvo de “desconstrução” de seu governo por um conjunto de veículos de comunicação de adversários políticos.

Para ser justo, isso até tem um fundo de verdade, mas há de ser lembrado que o grupo que está no poder foi eleito para comandar o Palácio Senador Hélio Campos ataques dos mesmos veículos de comunicação, mas conseguiu uma votação arrebatadora, pois o povo almejava mudanças e depositou suas esperanças no governo Suely.

Porém, três anos e meios se passaram sem que a administração correspondesse aos anseios da campanha eleitoral passada, presenciando um governo que vive de desculpas e sem assumir suas responsabilidades nem cumprir suas promessas, a começar por uma rigorosa auditoria nas contas do governo, o que nunca foi feito porque não há interesse nenhum em abrir a “caixa-preta”.

Em vez disso, crises passaram a fazer parte de Roraima: crise do duodécimo (incluindo aí atraso no pagamento dos servidores), crise do sistema prisional (com afastamento de secretário, motins na Pamc e CSE, além de uma operação policial sob suspeita de desvio de recursos), crise no sistema educacional (com greve do transporte escolar e protestos de alunos e professores), crise na saúde (com greves de servidores, atraso de pagamento de terceirizados e caos nos hospitais), crise na segurança pública (com trocas constantes de secretários, aumento da criminalidade e estabelecimento do crime organizado).

Não há como ter apoio popular diante de um cenário desses, sendo impossível manter uma imprensa inerte aos problemas que estão ocorrendo. Como falta meio ano para findar essa administração, não seria diferente que as pessoas que acreditaram numa mudança profunda sintam-se frustradas por terem acreditado piamente em um governo que não correspondeu aos votos que recebeu.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Colaborador
jesseroraima@hotmail.com

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