No desespero das chuvas

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Anualmente as águas invadem estradas e vicinais importantes para a vida das pessoas e a economia do Estado (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Jessé Souza*

Como já era previsível, o inverno roraimense encrudesceu e piorou a situação principalmente das populações que moram no interior do Estado. Rios e igarapés transbordaram, alagando vicinais e estradas, encobrindo pontes importantes na locomoção de produtores rurais e de moradores. Comunidades inteiras estão isoladas e até mesmo moradores das cidades estão sofrendo as consequências das fortes chuvas, a exemplo da sede do Município de Caracaraí, a Centro-Sul do Estado.

Muita antes de o período chuvoso piorar, os municípios já viviam em situação crítica, com vicinais intrafegáveis, pontes caindo aos pedaços e estradas precisando de manutenção, problemas que prejudicam a escoação da produção agrícola da zona rural e compromete a vida escolar de crianças e adolescentes no interior do Estado, que está largado por falta de políticas públicas a fim de aliviar o sofrimento deles.

Nesses últimos anos, quase nada se viu de obras destinadas a reverter esse quadro que se repete a cada período chuvoso, a não ser obras que já vinham sendo realizadas com recursos federais. E não poderia ser diferente, pois temos um governo estadual quebrado, que não está mais conseguindo sequer pagar os funcionários públicos em dia. Até o que é descontado no salário dos servidores que fizeram empréstimo consignado não é repassado às empresas financiadoras.

Trata-se de um quadro desesperador, em que as populações que vivem nos municípios mais distantes, especialmente o produtor rural, sofrem as piores consequências devido à ausência do poder público. Vivendo em municípios pobres, as prefeituras sequer conseguem receber os repasses de recursos devidos pelo Governo do Estado, que por sua vez ilude as populações dessas regiões com um programa itinerante que não supre a demanda em seus setores essenciais.

Como não há solução para os problemas que se avolumaram, a única alternativa é esperar ações emergenciais e paliativas, além de rezar para que as águas baixem e aliviem os transtornos e problemas das famílias. Porém, as chuvas ainda estão longe de aliviarem, o que indica situações piores até o fim deste mês, considerado o mais crítico do inverno roraimense.

Afinal, não temos um governo em condições de mostrar ações mais eficientes, ainda que estejamos em um ano eleitoral, quando os políticos querem mostrar serviço. Se quase nada foi feito até aqui, em três anos e meio, não se pode esperar mais nada em seis meses que restam desse atual governo. Chegamos ao nível de cada um por si agora.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Colaborador
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com/main

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