Símbolos de um país decadente

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Essa foi a cena mais comum de Neymar durante a Copa (Foto: REUTERS/Dylan Martinez)

Jessé Souza*

Não foi só a Copa do Mundo que o Brasil perdeu. O Brasil vem perdendo há tempos e, neste fim de semana, perdeu completamente a vergonha na cara, na política e na Justiça. A Copa foi apenas um aperitivo do que já vínhamos perdendo em campo, em que o jogador eleito como craque e líder não passava de um “garoto Ney” imaturo que se perdeu desde que virou um astro, antes de deixar o Brasil, e se tornou o jogador mais caro do mundo ao se fixar na Europa.

Preocupado mais com o estrelismo do que em representar um país sofrido e cheio de esperança, Neymar levou na bagagem, para a Rússia, dois cabeleireiros e uma birra que ele vinha domesticando desde quando jogava no Santos, ao xingar o técnico e sair chutando o vento quando foi substituído, e ao afrontar um torcedor que o criticou nas Olimpíadas, comportamento pessoal que ele sempre alimentou nas redes sociais, até hoje, ao ser criticado por torcedores e jornalistas.

O garoto Ney não carregava o peso de um time nas costas a exemplo de Messi, da Argentina, e Cristiano Ronaldo, de Portugal. Ao contrário, tinha um time jogando por ele para que ficasse livre para ser aquilo que todos esperavam, um craque que podia decidir a partida, mas sua cabeça estava em outro mundo, o do estrelismo e o da birra cultivados por um jovem que dá mal exemplo como ídolo.

Neymar era o mais encrespado nesse mundo da idolatria, mas tinha um time infestado mais de estrelismo do que vontade de mostrar futebol, alguns deles que não aprenderam com a derrota de 7 a 1 para a Alemanha, por isso estão fadados a se tornarem uma geração sem título mundial, assim como foi a de Robinho e Diego, que caíram no futebol de molecagem quando chegaram à Seleção.

Essa constelação de estrelismo precisa aprender com o jogador belga Lukaku, que passou fome, chorou e rezou com sua mãe, quando jurou que seria um craque no futebol não apenas para mudar a vida de sua família, mas para honrar todos que passaram ou passam pelo mesmo. E se Neymar não cortar sua crista feita por cabeleireiros de estrelas que ele carrega na bagagem, não vai passar de um ídolo oco, que vai continuar representando esse momento de vergonha e esculhambação da nação.

Enquanto não mudam, o garoto Ney e sua turma são o símbolo desse momento do Brasil, de uma Justiça infestada pela sem-vergonhice, do prende-e-solta Lula, o traidor da esquerda, e que deixa solto os bandidos da direita; desse comportamento safado do brasileiro que defende seu corrupto favorito; e da ilusão de uma idolatria que adoece a alma do brasileiro, que não sabe mais o que é futebol, o que é estrelismo exacerbado e o que é sem-vergonhice na política.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Colaborador
jesseroraima@hotmail.com

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