Cenas repetidas do desespero

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Sala da Tomografia fechada para manutenção, conforme aviso na porta

Jessé Souza*

Quem precisou de atendimento no Hospital Geral de Roraima (HGR), nesta terça-feira, teve que enfrentar uma dura realidade que se tornou rotina na única unidade de referência no Estado. Além da rotineira superlotação, que transforma os corredores numa imagem de hospital de guerra, com doentes espalhados em desconfortáveis macas, os equipamentos da tomografia e Raio-X estavam quebrados, deixando pacientes em longa fila de espera.

Na porta da sala de tomografia, uma placa informava que o equipamento está em “manutenção”. No caso do Raio-X, a máquina deu pane e precisou que técnicos passassem a manhã toda fazendo o conserto, enquanto doentes fossem submetidos a uma espera doloras, com sofrimento dobrado principalmente para idosos e pessoas que sofreram acidentes mais graves.

Enquanto isso, o recém-inaugurado Hospital das Clínicas, no bairro Pintolândia, na zona Oeste da Capital, não têm servido para aliviar a grande demanda do HGR, porque falta estrutura e equipamentos. A propósito, na inauguração daquela unidade, equipamentos foram retirados do HGR para fazer uma fachada no Hospital das Clínicas, conforme denunciaram servidores, os quais foram devolvidos ao HGR após a solenidade.

A tendência da saúde pública é a situação piorar mais ainda, pois, além de a demanda ter aumentado devido à chegada de centenas de venezuelanos, os hospitais públicos se transformam em um grande comitê eleitoral, onde candidatos inescrupulosos prometem atendimento médico em troca de votos. Sempre foi assim, além de médicos sendo transformados em cabos eleitorais, e não será diferente este ano.

Esta é a realidade da saúde pública em Roraima, cujo setor serve de moeda de troca para reforçar o apoio à base governista e a estrutura das unidades é usada para conseguir votos de gente que não consegue atendimento pelos meios convencionais. Não há gerenciamento que suporte a esta esculhambação eleitoral e ao toma-lá-dá-cá dos governantes em busca de votos.

Não bastassem esses desmandos, são visíveis as falhas administrativas que não conseguem colocar a casa em ordem porque os problemas estruturais são históricos e as decisões de cima para baixo não respeitam a realidade das unidades e a autonomia dos administradores que estão na linha de frente. O caos, desta forma, é inevitável. E quem pena com isso é a população.

*Editor do Roraima de Fato
jesseroraima@hotmail.com

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