Echelon e os rastros do sangue até Roraima

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Guerras das facções em Roraima eclodiu em outubro de 2016, mas o governo nada fez (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Jessé Souza*

Outubro de 2016. Esse é o marco temporal que divide o antes e o depois da atuação do crime organizado em Roraima. Não se trata de nenhuma especulação. Essa data consta de documentos da Polícia Civil de São Paulo sobre a investigação da guerra de duas facções criminosas em todo o país, a Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), na disputa pelo tráfico internacional de drogas, conforme publicação da Folha de S. Paulo.

Foi em outubro de 2016 que ocorreu a primeira chacina na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), quando 12 presos integrantes do CV foram mortos por detentos rivais do PCC. Naquele mês foi declarada a guerra entre as duas facções no país, quando outras facções, sob o comando do CV, proibiram o PCC de realizar “batismo” de novos integrantes fora e dentro do presídios.

As provas foram colhidas no mês passado, durante a Operação Echelon (Escalão em grego), desencadeada em 14 estados, incluindo Roraima, onde havia indícios de células do PCC, durante apreensão de celulares, tablets e outros equipamentos que pertenciam aos líderes responsáveis por ordenar mortes de rivais com requintes de crueldade. Todas as execuções devem obrigatoriamente ser gravadas em vídeo e fotos.

Os vídeos dos celulares apreendidos revelam uma verdadeira chacina, no país, praticada pelo PCC, o que explica o que está acontecendo em Roraima, com as constantes mortes na Capital e interior, com corpos decapitados e esquartejados também dentro da Pamc e do Centro Sócio-Educativo (CSE), na zona rural de Boa Vista.

Em vez de tomar as rédeas da situação e se organizar para enfrentar essa nova realidade do crime organizado, já em outubro de 2016, o Governo do Estado ficou fazendo remendos na polícia e no sistema prisional, onde inclusive a primeira tática foi negar a existência de facções dentro dos presídios. E logo ocorreu a maior chacina do Estado, dentro da Pamc, em janeiro deste ano, com 33 mortos.

E o resto da história todos sabemos, com a população vivendo aterrorizada e o crime organizado avançando em suas ações violentas e macabras. As mortes seguem como resultado desta guerra de facções pelo comando do tráfico de drogas. E o Estado se mostra um expectador, já que as investigações em São Paulo é que estão mostrando algo. A Roraima resta a insegurança pública…

*Editor do Roraima de Fato
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com/main

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