Das convenções partidárias às tragédias

Share This:

Imagem: Divulgação/oxygen64

Jessé Souza*

Enquanto os políticos estavam em seus conchavos e acordos nas convenções partidárias, desde sexta-feira passada, vários fatos ocorriam em sequência em Roraima, revelando no que o Estado foi transformado e o que não queremos mais na política. Um dos fatos foi a manobra do governo Suely Campos (PP) que, falido por não ter feito o dever de casa, tentou colocar as mãos em R$600 milhões da aposentadoria dos servidores estaduais. Só não conseguiu colocar a mão nessa montanha de dinheiro porque os órgãos fiscalizadores agiram rápido.

Se tivesse feito o que prometeu, assim que assumiu, como a realização de uma auditoria, abrindo a “caixa-preta” das finanças, esse governo teria condições de evitar o fundo do poço e punir os responsáveis por irregularidades. Mas não. Preferiu ficar nesse joguete de colocar toda a culpa no governo anterior e continuou praticando os mesmos erros e desmandos. E hoje temos um Estado endividado, sem dinheiro para pagar o funcionalismo e para repassar o duodécimo dos demais poderes.

Enquanto o Estado tentava pegar o dinheiro do Instituto de Previdência do Estado (Iperr), médicas da única maternidade pública de Roraima eram ameaçadas por pacientes estrangeiros porque, segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), não há estrutura, equipamentos, remédios nem material médico hospitalar para garantir condições de trabalho e bom atendimento ao público. Essa é a mesma realidade caótica do maior hospital público, o Hospital Geral de Roraima (HGR), que se transformou em um campo de concentração de doentes nos corredores.

Pacientes em tratamento contra o câncer também protestavam contra a falta de medicamentos devido à falta de pagamento, pelo governo, de oito meses devidos ao Centro Oncológico de Roraima, com pessoas correndo risco de morrer, de terem seu quadro de saúde piorado ou mesmo de ter membros amputados devido à doença. É o desespero de quem não tem a quem recorrer.

Para piorar o que já estava ruim, na madrugada de domingo para segunda-feira, integrantes de uma facção criminosa promoveram um ataque orquestrado a prédio e veículos públicos, agências bancárias e até mesmo prédios da polícia na Capital e interior do Estado. A ordem partiu dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), que se tornou o quartel general do crime organizado, graças à ineficiência do Estado para conduzir o sistema prisional.

Para fechar essa sequência de fatos, famílias de produtores rurais interditaram, nesta segunda-feira, o trecho norte da principal rodovia do Estado, a BR-174, cobrando do governo o pagamento do transporte escolar, serviço que foi suspenso por falta de repasse de recursos há seis meses. É a educação também no caminho do caos.

Esse é o cenário que estamos vivendo no mesmo momento em que os políticos decidem como vão lotear o Estado e arrebanhar eleitores. Já temos a confirmação de quase todos os nomes que irão concorrer a esse pleito. Só não temos esperança de como vamos sair desse buraco. Mas não será esse governo que aí está que conseguirá reverter isso…

*Editor do site Roraima de Fato
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com/main

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*