Intervenção sob vigília permanente

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Trecho da Abin divulgado na edição do Fantástico, no domingo (IMAGEM: DIVULGAÇÃO)

Jessé Souza*

O relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão que reúne os arapongas oficiais, documento este que serviu para o Governo Federal decretar intervenção em Roraima, não surpreendeu ninguém que mora no Estado e enfrentar o caos. Mas o que pesou muito na decisão foi o fato de o sistema prisional roraimense em colapso se transformar em novo palco de massacre de presidiados, divididos entre facções criminosas.

Não foi o servidor público passando necessidade devido ao salário atrasado. Nem a imigração desordenada. Nem a criminalidade galopante no Estado. Tudo isso está no relatório, porém, o Governo Federal está preocupado mesmo é com a possibilidade de um novo confronto entre facções nos presídios, que poderia deflagrar novos conflitos generalizados em outros estados, cujas penitenciárias também estão dominadas pelo crime organizado.

Um novo capítulo nessa guerra entre facções iria complicar também a situação do crime no Rio de Janeiro, que está com a Segurança Pública sob intervenção federal. E Temer não quer terminar seu pífio governo em meio a presídios conflagrados pelo crime organizado, sem ele pode dizer que sua administração pacificou o Rio de Janeiro, com a ajuda do Exército, o que ele considera um grande feito de sua administração.

Mas não havia outra forma de solucionar a grave crise em Roraima, especialmente a dos salários dos servidores roraimenses, senão pela intervenção. Então, veio bem a calhar para a estratégia de segurar os presídios roraimenses, uma vez que a intervenção federal apenas nos presídios e na Segurança Pública, com servidores em protesto, não iria funcionar. E assim foi decidida a intervenção em Roraima.

O que resta ao povo de Roraima é acreditar que o governador eleitor Antonio Denarium como interventor seja um passo certo para começar a amenizar o caos no Estado. Ninguém deseja crer que possa existir um grande acordo por trás dessa intervenção, como segurar as investigações em áreas importantes, como Saúde e Educação, as mais disputadas pela elite política local.

As duas operações da Polícia Federal, no setor de alimentação dos presos e da merenda escolar, revelaram a família da governadora afastada e de seus assessores diretos envolvidos nas falcatruas. Então, o que garante que não existam situações piores nos setores para os quais são destinados os maiores volumes de recursos, como a Saúde e Educação?

Torcemos que esta intervenção seja o início do saneamento imediato do Estado, a fim de garantir bem-estar ao funcionalismo, que é base da economia local (e eleitoral também). Mas não podemos esquecer de cobrar a desratização completa dos demais setores do Estado. Há áudios circulando no WhatsApp indicando que uma deputada se elegeu usando recursos e veículos do transporte escolar, setor este que está em protesto permanente em frente ao Palácio do Governo.

Queremos salários em dia, mas também a continuidade da desinfecção do Executivo. Não podemos nos contentar com uma intervenção. É necessário cobrar do novo governo que ele cumpra sua promessa de mudança e moralização. Já estamos pagando um preço muito caro pelo fato de o governo afastado não ter agido para sanear os cofres públicos, enquanto familiares e assessores rapinavam os cofres públicos, O momento é de vigília e cobrança,

*Editor-chefe do Roraima de Fato

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