Ópera dos bufões e mais do mesmo

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Jessé Souza*

Não demorou um mês para que a população tivesse uma noção sobre quem é o governo de Antônio Denarium (PSL), que foi eleito sob a esperança de reconstruir o Estado e de imprimir uma administração politicamente nova diante dos desastres que representaram os governos anteriores.

Embora ele tenha tomado posse no dia 1o de janeiro, seu governo começou no dia 12 de dezembro do ano passado, com a intervenção federal no Estado, o que significa que havia tempo suficiente para tomar decisões importantes a fim de evitar o cancelamento dos concursos públicos e o adiamento do início das aulas na rede pública, por exemplo.

Ao contrário disso, começaram a pipocar denúncias de contratação de cargos comissionados em número muito maior do que os de demitidos, indicando o trezinho de cabos eleitorais, parentes e aderentes. Houve até rumores (não desmentidos) de contratação de garotas da zona meretrícia, conforme indicava o fluxo rápido de grupos de WhatsApp.

Enquanto isso, mais notícias de que diretores recém-nomeados, os “amigos do rei”, deixavam os seus cargos entregues ao descaso enquanto curtiam férias fora do Estado, tudo devidamente postado nas redes sociais. Até mesmo o governador e o secretário de Saúde, juntos com sua turma de amigos, foram para uma pescaria no Sul do Estado, enquanto o Estado ardia em denúncias e insatisfação.

Fora a crise crônica nos setores importantes, como Segurança, Educação e Saúde, existe ainda o caso dos trabalhadores das empresas terceirizadas, que estão há oito meses sem receber, os quais decidiram acampar em frente ao Palácio Senador Hélio Campos. Enquanto isso, Denarium se vê perdido, sem saber agir como governador e sem qualquer cacoete político.

O resumo dessa ópera dos bufões é que, enquanto os líderes desse governo se esbaldam em suas próprias fanfarrices (inclusive ninguém sabe quem manda mais, se o governador, se o vice-governador ou chefe da Casa Civil), o povo fica na impressão de que esse governo será mais do mesmo. Assim como sua antecessora, a “finada” Suely Campos (PP), Antônio Denarium tem aceitado ser tratado como marionete.

Importante lembrar que boa parte de seu secretariado veio da antiga politicalha, o que significou o primeiro sinal de que o governo Denarium pode ser o melhor de todos para os seus aliados políticos e para o grupo de empresários que bancou sua eleição, mas, para o povo, tudo indica que ele deverá ser a repetição de escândalos e desmandos de seguidos governos que já experimentamos. Quem terá o papel de dizer que o rei está nu?

*Idealizador do site Roraima de Fato

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