Uma dura lição

Share This:

Jessé Souza*

A tragédia humana e ambiental de Brumadinho (MG) foi mais uma dura lição para os brasileiros aprenderem que a questão ambiental é muito mais séria do que a forma como foi tratada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em sua campanha eleitoral. Não podemos pensar em gerar riquezas e divisas sepultando corpos debaixo da lama criminosa do descaso com grandes empreendimentos.

Desde a devastação de Mariana (MG), que em 2015 também foi riscada do mapa com o rompimento da barragem de dejetos mineral da mesma empresa, a Vale, fiou claro que há não apenas um descaso com a gestão ambiental no país, como também fortes evidências de práticas de corrupção quando se trata de licença ambiental e fiscalização que impedem a repetição dessas criminosas ações.

Os discursos de Bolsonaro sobre a questão ambiental acabaram por soar como um sinal para abrandar as fiscalizações a empreendimentos que causam grandes impactos na natureza. Da mesma forma como muitos imaginaram na questão das armas, dos direitos humanos, das minorias e dos movimentos sociais, como se houvesse uma autorização para o “liberou geral”.

Na questão ambiental, o desaparelhamento do Ibama e a ameaça aos demais órgãos ambientais foram o primeiro passo do novo governo que se fartou em mandar recados pelas redes sociais em favor das mineradoras e do agronegócio, como se o Brasil não tivesse mais comprometimento com a preservação nem que esses empreendimentos deveriam mais se preocupar em agir dentro das normas ambientais.

O fato é que não dá para comandar o Brasil pelo Facebook, nem muito menos manipulando a realidade por meio do fake news. A tragédia de Brumadinho, três anos após Mariana, nos chama a um ultimato diante de um governo que chegou com discursos equivocados, os quais sugerem descaso com um setor importante para o país, que é a mineração em larga escala. A questão ambiental não pode ser deliberadamente tratada como um discurso de “esquerda” e “direita”.

A falta de punição severa no caso de Mariana permitiu que um crime maior fosse cometido em Brumadinho, além do que várias outras barragens de rejeitos país afora continuam a ser tratadas com descaso. Assim como ocorre em países de primeiro mundo, a gestão de risco ambiental precisa fazer parte desses empreendimentos, e não ser tratada como desperdício de recursos ou uma obrigação xiita.

Diante dos graves fatos que vivemos no primeiro mês do ano, com corpos que jamais serão resgatados em Brumadinho, o Brasil não pode mais ficar no seu berço esplêndido nem Bolsonaro pode mais continuar acreditando que ele pode ser um Trump brasileiro, querendo governar por meio do Facebook e do fake news. O Brasil real chama à responsabilidade.

*Idealizador do site Roraima de Fato

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.