Flores e uma infância em risco

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Obra de escola infantil abandonada no bairro Cidade Satélite

Jessé Souza*

Elogiada por suas ações que embelezam Boa Vista, a prefeita Teresa Surita (MDB) sempre navega nas boas ondas midiáticas, construídas por sua bem paga rede de proteção e divulgação na internet. A qualquer crítica, existe uma legião de fakes e robôs para defendê-la, além de seu séquito municipal – que se sente na obrigação de “curtir”, “amar”, “compartilhar” e “comentar” suas publicações – e dos seus eleitores, obviamente.

Tem sido assim nesses dias em que o Estado galopeia em crise, quando a prefeita usa seu Twitter para engrandecer seus feitos e distribuir fofuras. Teresa tem sabido usar a seu favor a grande crise e as trapalhadas iniciais do governo Denarium (PSL) para que ela se ponha como a única opção para tirar Roraima do buraco, mesmo que o momento não seja oportuno para ficar pensando fixamente na disputa pelo governo, dentro desse conturbado contexto.

Seria de bom tom falar em consertar o que anda de errado na administração da Prefeitura de Boa Vista, cujo desafio é grande quando se fala em infância diante da forte imigração de famílias venezuelanas que chegam com suas crianças já em situação de grande risco social, com fome e desprotegida nas ruas. Basta ver nos semáforos essa dura realidade que se abate sobre nós.

Antes mesmo da chegada dessas crianças estrangeiras já havia um grande desafio para a infância boa-vistense, com o grande deficit em vagas nas creches, principalmente. Com os problemas sociais ampliados a partir da imigração desordenada, a busca por vaga na educação infantil tornou-se um problema ainda maior e uma nova grande ameaça para a infância de Boa Vista.

Essa perigosa realidade vem sendo ignorada pela prefeita e seus conselheiros políticos, que evitam admitir que a educação infantil requer uma atenção mais urgente. Ao contrário, insistem em dizer que estão na vanguarda. É só fazer uma breve reflexão: na educação não ocorre o mesmo quando se trata de reformar praças públicas; com seus jardins coloridos, a prefeita age muito rápido, muitas vezes reformando praças que já haviam acabado de passar por obras de reforma.

Um dos exemplos é a praça em frente ao Cine Super K, no Complexo Poliesportivo Ayrton Sena, no Centro, que passou por duas reformas recentes e já está cercada para mais uma. Na primeira obra, derrubaram três quiosques, um deles inacabado, e fizeram um canteiro com jardim. Depois, na segunda reforma, retiraram o jardim e reconstruíram dois quiosques, onde hoje funcionam dois bares em frente ao cinema. No local cercado por tapumes ainda não se sabe o que será construído por lá, desta vez.

Porém, do outro lado da cidade, mais precisamente no bairro Cidade Satélite, que passou a concentrar um grande contingente populacional, três escolas municipais destinadas à infância estão com suas obras abandonadas há anos. Novos conjuntos habitacionais foram construídos por lá, inclusive o maior da Capital, o Residencial Vila Jardim, mas as escolas jamais tiveram suas obras concluídas.

Este é tão somente um exemplo da inversão de prioridade. Sim, queremos uma cidade arborizada, florida e limpa, mas também desejamos uma Capital que invista em setores imprescindíveis, como a Educação infantil, por meio da qual conseguiremos forjar bons cidadãos para o futuro. Senão, não tardará para termos uma infância vivendo na promiscuidade das ruas, pronta para ingressar no crime e engrossar as fileiras de facções criminosas.

Nunca é demais lembrar que é a partir da infância que a sociedade tem o poder de mudar uma sociedade. Se não houver investimento e prioridade para a educação infantil, nossas ruas e praças floridas servirão apenas de uma fachada para as desgraças sociais, as quais os políticos sempre tentam encobrir de alguma forma. A estética pode esperar; a infância não.

*Idealizador do site Roraima de Fato

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