Campanha eleitoral e a saga dos fichas-sujas, simulações e promessas mirabolantes  

Eleitores vão às urnas no dia 4 de outubro para escolher os seus candidatos (Foto: Divulgação/El País)

As eleições desse ano chamaram a atenção pelos casos de políticos conhecidos da cena roraimense, com trajetórias marcadas por condenações por corrupção, que tentaram emplacar suas candidaturas, mas que foram ficando pelo caminho. Outros conseguiram validar suas candidaturas, apesar de condenações e investigações em curso, o que mostra as brechas que beneficiam quem tem poder e influência.

Essa busca dos fichas-sujas pela eleição é a prova do uso da política partidária em benefício próprio, em que a corrupção é a grande responsável pelas mazelas que o Estado vive hoje, enquanto esses políticos ficam ricos. Tudo a despeito dos grandes escândalos do passado e do presente. Como esses políticos conhecem muito bem os meandros da bandalheira, tentam voltar à cena política como se nada tivesse acontecido.

Enquanto os escândalos representam um capítulo à parte, alguns candidatos tentam apelar de alguma forma para emplacar suas candidaturas. Tem candidato usando até o vitimismo, simulando que ele e seus apoiadores estariam sendo vítimas de ataques, em uma tática que muitas vezes funciona. Mas em tempo de redes sociais e de câmeras de segurança espalhadas por todos os cantos, fica difícil criar situações que não se sustentam.

Outros apostam na ignorância do eleitor, fazendo promessas mirabolantes que não se sustentam à realidade dos fatos. Já apareceu quem prometesse instalar teleféricos na Serra do Tepequém, o principal ponto turístico consolidado do Estado, enquanto a localidade sofre de necessidades básicas, além de ter obras abandonadas, a exemplo da construção de um portal, de um mirante e de uma concha acústica.

Outro defendeu a construção de uma ferrovia interligando o Estado de Roraima, a partir do Município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, até o Rio Grande Sul, em um delírio eleitoral que tem servido de meme nas redes sociais. Seria até mais sensato apoiar uma proposta antiga, inclusive registrada em livro, de construir uma ferrovia interligando Roraima ao Amazonas.

A proposta campeã, a mais difundida, é a que defende a legalização do garimpo, que é uma enganação, pois legalizar a mineração não significa que homens de bateia na mão ou com maquinários e balsas poderão garimpar em terras indígenas da forma que é hoje, abrindo crateras, transformando rios e igarapés em montanhas de terra, barro e lama, contaminando com mercúrio, oferecendo armas, drogas ilícitas e cachaça para aliciar e comprar indígenas, além do crime organizado se estabelecendo.

Da forma que os candidatos pregam sobre o garimpo, fica parecendo que cada pai de família terá direito a uma grota para garimpar, sem patrão, sem pagar imposto, sem preocupação com meio ambiente, sem pedir autorização e sem indenizar as comunidades indígenas. Esse é um delírio pregado por candidatos inescrupulosos que apelam para a emoção e para a mentira a fim de ludibriar os eleitores e a sociedade.

Poucos trazem propostas que realmente irão fazer o Estado prosperar, a não ser promessas nunca cumpridas, como estradas trafegáveis, pontes de cimento, incentivo à agricultura familiar, regularização fundiária, escolas com estrutura, unidades de saúde funcionando, criminalidade sendo combatida, emprego, geração de renda, programas para crianças, adolescentes e jovens etc. Muitos vivem uma farsa, que é aceita de certa forma pela população.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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