
A população de Roraima conhece muito bem a realidade dos jogos de azar nas redes sociais, conhecido como “jogo do tigrinho”, desde quando a Polícia Civil prendeu, no início do ano, oito influenciadores digitais investigados por um esquema que movimentou R$260 milhões em dois anos. A investigação revelou um esquema estruturado que atraía seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis.
Com a proibição das Bets no Brasil, formalizada por meio de uma Medida Provisória impedindo a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas e jogos online no país, o tema tornou-se a maior polêmica em um momento eleitoral decisivo para o país. As plataformas estão impedidas de receber novos apostas e deverão sair do ar no dia 6 de outubro, enquanto os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas.
O que precisa ser levado em conta é que se trata de uma medida que protege a população de uma doença chamada ludopatia, que é o vício compulsivo em jogos e apostas, a qual começa com uma aposta pequena, que é a porta de entrada por meio da promessa de dinheiro rápido e fácil, desencadeando um vício difícil de ser livrar, quando a pessoa passa a não ter mais a possiblidade de “parar quando quiser”.
A internet está cheia de relatos aterradores de familiares que não perceberam o abismo dessa doença invisível, com um número cada vez maior de pessoas acometidas por ludopatia, que se tornou um problema de saúde pública e uma questão que passa a exigir apoio jurídico para que vítimas do vício compulsivo possam recorrer à Justiça por reparações.
Em outra ponta, enquanto milhares de pessoas morderam a isca com a promessa de dinheiro fácil e rápido, um seleto grupo de influenciadores ficava rico do dia para a noite, conforme a população roraimense pôde observar durante a operação policial realizada em abril desse ano. Falta agora punir principalmente as Bets pelo agravamento da vulnerabilidade dos viciados como consumidores, além da responsabilidade de indenizar essas pessoas por danos morais, além da nulidade das operações dos que se afundaram em dívidas impagáveis
Com o fim das Bets, esse é o momento de expor esse problema crônico que tem custado a vida de muitos e do maior endividamento da população brasileira. Mas não é só isso. Como se trata de um esquema ilegal, as investigações apontam o envolvimento de influenciadores com lavagem de dinheiro associado ao crime organizado no país. É aqui onde o jogo do tigrinho se cruza com a corrupção na política, um tema que nem todos estão preparados para discutir.
Enquanto isso, já que esses influenciadores perderam o esquema milionário do dinheiro fácil com a desgraça da população e terão que trabalhar, é bom que comecem a pensar em uma ostentação de quem trabalha duro de carteira assinada: defender a escala 6 x 1 que está emperrada no Congresso.
*Por Jessé Souza
jesseroraima@hotmail.com
