Ibama realizou dez dias de ações contra o garimpo ilegal em regiões estratégicas de Roraima

Ações dos agentes do Ibama ocorreram em várias regiões estratégicas de Roraima (Foto: Ibama)

Uma varredura contra o garimpo ilegal foi realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) durante as duas últimas semanas de outubro nas principais regiões, em Roraima, onde as atividades ilegais costumam a atuar. São as mesmas áreas onde o tráfico de droga também estava começando a se fortalecer, usando a estrutura do garimpo, como pistas clandestinas e clareiras.

As operações foram encerradas no dia 30 passado contabilizando uma série de ações durante dez dias. Uma das aeronaves destruídas estava sendo empregada na atividade ilegal dos garimpeiros na Terra Indígena São Marcos, no Município de Pacaraima, ao Norte do Estado. A outra estava no Município de Mucajaí, próximo à Terra Indígena Yanomami, a Centro-Oeste. 

As operações desarticularam a logística do garimpo ilegal no Rio Maú, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Município de Uiramutã, a Leste do Estado, região que vem registrando constante expansão da atividade ilegal nas comunidades indígenas. Essa é uma região sensível porque abrigam recursos hídricos e grande biodiversidade.  O Rio Maú possui relevância ambiental estratégica por integrar a bacia hidrográfica do Rio Branco, principal curso hídrico de Roraima. 

A fiscalização ainda abrangeu a Terra Indígena Wai Wai, no Sul de Roraima, além do entorno da Terra Indígena Yanomami, a Floresta Nacional do Parima e a Estação Ecológica de Maracá, esses três últimos na região Norte, com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

Conforme informações do Ibama, os agentes ambientais inutilizaram duas aeronaves, dez balsas, dez embarcações de apoio, duas dragas e de aproximadamente 9.800 litros de combustível. Também foram destruídos compressores, motosserras, geradores de energia, motobombas, equipamentos de comunicação via satélite, painéis solares e motores diversos.

Cerca de 700 gramas de mercúrio foram apreendidos, uma substância altamente tóxica que é frequentemente usada na atividade garimpeira, provocando a contaminação de rios, peixes e diversos outros organismos aquáticos. Com os acampamentos e estruturas de logísticas usados pelos garimpeiros destruídos, as atividades ilícitas sofreram grande baixa, reduzindo a pressão sobre terras indígenas e unidades de conservação federais. 

Foi devido a essa grande operação que começaram a surgir movimentações de políticos visando desenterrar antigas mobilizações em favor do garimpo ilegal em terras indígenas e pedidos para reverter criações de unidades de conservação. O crime organizado que se articulou no âmago do garimpo ilegal não perde tempo. A cooptação de políticos é a última estratégia, principalmente diante de um Congresso sequestrado por antiambientalismo.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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