Há um ano a única maternidade pública do Estado de Roraima está funcionando em uma estrutura improvisada, feita de lona e com estrutura física inadequada para atender mulheres grávidas que chegam para dar à luz vindas de todas as regiões do Estado. Enquanto isso, a reforma do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN), que irá custar R$20 milhões aos cofres públicos, não tem prazo para ser concluída.

A transferência das pacientes do prédio da maternidade, no bairro São Francisco, começou a ser feita no dia 6 de junho de 2021 para um espaço improvisado onde funcionava o Hospital de Campanha, ao lado do Hospital da Criança Santo Antônio, na divisa dos bairros 13 de Setembro e Pricumã, no trecho sul da BR-174. A reforma do HMI perdura por todo esse tempo, com as obras ficando por meses paralisadas, sem qualquer justificativa.

Enquanto a população aguarda a reforma milionária, cujo Governo de Roraima recebeu bilhões do Governo Federal durante os dois últimos anos, bebês nascem em uma maternidade sob tendas improvisadas, com mães passando por humilhações em uma estrutura precária, tomada por poças de lama, o que torna um espaço insalubre para quem precisa de atenção e cuidado.

Os profissionais de saúde sentem-se constrangidos ao desempenharem suas funções debaixo de lonas encardidas pela ação das chuvas, como se fosse um cenário de guerra. Desde que a obra de reforma do HMI começou, o governo nunca divulgou um prazo para a conclusão dos serviços. Inclusive o secretário da época, Airton Cascavel, que logo após deixar o cargo chegou a ser preso acusado de abuso sexual, não quis informar à imprensa o prazo de conclusão da obra.

Enquanto pacientes e servidores passam por essa humilhação, o governo estadual sequer dá qualquer satisfação à opinião pública sobre a lentidão da reforma do prédio da maternidade pública. É um completo descaso com a saúde pública.
