
Enquanto o fato de maior repercussão no fim de semana foi uma rusga política dentro de uma disputa titânica por uma vaga no Senado e no Tribunal de Contas do Estado (TCE), entre o governador Antonio Denarium e o senador Mecias de Jesus, os grandes problemas que desafiam o Estado se apresentaram na Segurança Pública, no Trânsito, na Infraestrutura e no Meio Ambiente, sem que nenhuma autoridade se apresentasse para discutir os problemas.
Nas redes sociais, a maior repercussão foram as queimadas que vêm atingindo várias regiões de Roraima, especialmente na zona rural de Boa Vista e nas margens das duas principais rodovias federais, a BR-174 e a BR-401, mostrando que nunca houve uma ação planejada por todos os níveis de governo não só na prevenção e enfrentamento ao fogo, mas principalmente para identificar e punir os responsáveis.
Enquanto não houver um trabalho conjunto visando a punição de quem comete queimadas criminosas, as terríveis cenas de destruição do meio ambiente se repetirão, com reflexos sérios não só em áreas de proteção, mas também em propriedades privadas, com destruição de pastos para o gado, plantações, mortes de animais silvestres e sérias agressões a locais de mananciais de água potável, além dos riscos à saúde das pessoas.
No que diz respeito ao Trânsito, a imagem mais significativa de que nada mudou em relação ao preocupante quadro de imprudência e falta de fiscalização foi o acidente que ocorreu no sábado, por volta de meio-dia, quando um carro capotou ao colidir na traseira de outro veículo que estava parado no sinal vermelho no semáforo do cruzamento das avenidas Major Williams e Ene Garcez. Parecia o cenário de um filme apocalíptico.
A imagem de uma câmara de segurança mostra de forma bem clara a imprudência do condutor do carro que capotou. Se não houvesse aquele outro carro parado no semáforo, com certeza o condutor teria avançado o sinal vermelho e provocado um acidente muito pior. Significa que, na ausência de uma política de trânsito que fiscalize com rigor para punir os transgressores exemplarmente, as mortes e prejuízos no trânsito irão seguir.
Na Segurança Pública, as organizações criminosas seguem afoitas e desafiadoras. A ação da Polícia Civil que prendeu dois homens por tráfico de droga na Capital também descobriu uma fábrica de armas caseiras na residência de um dos envolvidos, revelando que os bandidos avançam de nível, enquanto as polícias correm atrás dos prejuízos. Enquanto isso, viaturas policiais ficam de vitrine, estacionadas no entorno do Palácio do Governo, esperando um momento político para ser entregues.
Não bastasse tudo isso estar ocorrendo ao mesmo tempo, as pontes de madeira estão caindo em vários municípios e a buraqueira tomando de conta das estradas e vicinais. O exemplo mais clássico é a RR-203, que dá acesso à Serra do Tepequém, onde as pontes começaram a desabar e algumas crateras no asfalto são tapadas com barro, colocando a vida dos condutores e passageiros em sérios ricos de acidente, os quais têm ocorrido com frequência, inclusive um deles com o veículo que levava a equipe de um político quando capotou na semana passada.
O que ocorre na RR-203 se repete em outras localidades, mostrando que não há um projeto de governo para a Infraestrutura, onde nem a estrada de acesso ao principal ponto turístico do Estado, que é uma vitrine por onde passam turistas locais e de vários estados, além de países vizinhos, tem a atenção devida, Imagine, então, a situação em outras localidades, fora de visibilidade turística e das vistas dos políticos que só costumam a aparecer para pedir voto.
Esse é o grande resumo do que ocorreu no fim de semana em que a grande ópera bufônica na política se tornou mais importante do que as mazelas que atingem a população em várias frentes. E tudo isso em ano eleitoral, em que a pré-campanha começou sem que haja um projeto político a ser apresentado para mitigar os grandes e repetidos problemas que Roraima enfrenta, enquanto os criminosos se organizam ainda mais, os incendiários tocam fogo no Estado, condutores irresponsáveis sentem-se livres para transgredir e as estradas e pontes de madeira ameaçam a vida das pessoas.
*Por Jessé Souza
