Acidentes com mortes na descida da Serra do Tepequém exigem intervenções urgentes

Caminhão desgovernado que tombou na descida da Serra do Tepequém já foi retirado (Foto: Divulgação)

Em menos de um mês, dois graves acidentes resultaram em três mortes na íngreme e sinuosa descida da Serra do Tepequém, no Município de Amajari, o principal ponto turístico consolidado de Roraima. Mortes em acidentes com quem desce a serra pela RR-203 são recorrentes, porém os casos ficam ocultos porque interessa às autoridades, que não querem ver reveladas suas incompetências, e porque as tragédias sempre prejudicam quem vive do Turismo.

No entanto, não dá mais para silenciar diante dessas duas recentes tragédias. No dia 13 de setembro, uma condutora de moto perdeu a vida depois de perder o controle do veículo na ladeira em uma das curvas, provavelmente por falha no freio. Neste sábado, 10 de outubro, dois funcionários de uma empresa faleceram quando o caminhão munck com postes de concreto e equipamentos elétricos tombou após ficar desgovernado também por falta de freios.

Outras mortes vêm sendo registradas ao longo dos anos, a maioria delas por imprudência e imperícia na condução dos veículos, por não fazerem a manutenção adequada dos veículos ou não saberem usar o freio motor (o que faz provocar o superaquecimento dos freios) ou mesmo falta de cuidado em descidas acentuadas. No entanto, as autoridades não estão livres de culpas, pois faltam sinalizações e alertas, bem como intervenção de engenharia de trânsito para minimizar os riscos com ações corretivas e preventivas.

Porém, a política não tem interesse em salvar a vida das pessoas e de proteger suas integridades. O exemplo está na falta de conservação não só da RR-203, mas de todas as estradas, as quais não passam por manutenção adequada, apresentando crateras, desníveis, matagal onde deveria haver acostamento e ausência flagrante de sinalizações adequadas. Os acidentes são mascarados porque, em sua maioria, são uma combinação de imprudências e as péssimas condições da estrada.

Na subida/descida da Serra do Tepequém são necessárias medidas urgentes para mitigar os grandes riscos de acidentes devido a ladeiras íngremes e longas, seguidas de curvas acentuadas. Mas tudo isso é ignorado, interessando às autoridades jogar a culpa somente nos condutores, os quais realmente precisam se conscientizar sobre manutenção dos veículos e cuidados redobrados para que saibam usar o freio motor e dirigir com toda cautela possível de forma preventiva.

De imediato, é necessário fazer a implantação das sinalizações e realizar limpeza periódica do matagal na margem da rodovia. A sinalização vertical exige uso de placas refletivas de grande alcance que alertam sobre o percentual da declividade da ladeira e a necessidade de usar o freio motor. Também são necessários sonorizadores instalados no asfalto para que geram vibrações com a finalidade de despertar condutores cansados ou desatentos.

A curto prazo, é imprescindível a realização de estudo para construção de áreas de escape nas margens das descidas mais acentuadas. Além de defensas metálicas e barreiras de concreto deformáveis, os quais são sistemas de contenção instalados em curvas acentuadas na descida para evitar saídas de pista e quedas em barrancos. Mas é bem provável que alguém alegue falta de recurso, ignorando que uma vida que é salva não tem preço. Mas quem está ligando para isso?

Também já passou da hora de instalar redutores de velocidade na Vila do Paiva, pois até alguns moradores transitam em alta velocidade, colocando a vida de turistas em sérios riscos. Os quebra-molas elevados com faixa de pedestre em cima já resolveriam a questão, pois novamente vão alegar falta de recursos para implantar fiscalização eletrônica de velocidade. Inclusive, existe a urgente necessidade de radares fixos ou lombadas eletrônicas antes do início da saída da serra, forçando os motoristas a iniciarem a descida em uma velocidade segura.

A grande questão é que nem a Prefeitura do Amajari, muito menos os seguidos gestores de turismo do governo estadual, têm interesse em gerir o Turismo na Serra do Tepequém, onde as atividades turísticas são realizadas na completa ausência do poder público. Se nem a vida de condutores de veículos têm chamado essas autoridades a assumirem suas responsabilidades, imagine a vida de turistas sob riscos pela falta de fiscalização e ordenamento por parte dos setores governamentais.

Nem mesmo existe um plano de ação emergencial da Prefeitura do Amajari e do Governo do Estado destinado a Tepequém nos feriados prolongados e períodos de alta estação, o que deixa um grande número de turistas a mercê de problemas que podem ocorrer. O acidente com o caminhão, no sábado, mostrou o despreparo das autoridades para agir, tanto no caso de salvar a vida, liberar corpos em locais de acidentes e o desbloqueio da estrada interditada por causa do caminhão que ficou atravessado na pista por nove horas, além do novo bloqueio da pista, no domingo, para a retirada do caminhão.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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