A coluna Em Pauta de hoje vai abordar o lamaçal em que está metido o governo Denarium. É impressionante o que está ocorrendo em Roraima sob o silêncio de boa parte de nossa sociedade. Estamos com um governador cassado três vezes e sob graves acusações de comandar um esquema de grilagem de terras, que envolve bárbaros assassinatos, e de ter comprado votos na eleição suplementar de Alto Alegre aos mesmos moldes de como ele próprio foi denunciado e cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

ANESTESIA TOTAL
O momento é crítico para a política roraimense, mas parece que está todo mundo anestesiado aceitando silenciosamente as graves situações que envolvem o âmago do Palácio Senador Hélio Campos, que abriga o governador Antonio Denarium, cassado três vezes por corrupção eleitoral e que é alvo de gravíssimas acusações de comandar o maior esquema de grilagem de terras de todos os tempos em Roraima, cujos desdobramentos envolvem o trágico assassinato de um casal no Município do Cantá.
TRIPUDIAÇÃO
Mesmo tendo sido cassado por compra de voto por meio de distribuição de cesta básica, Denarium não se envergonhou nem se intimidou em comandar uma grande ação no Município de Alto Alegre, durante o período de campanha eleitoral da eleição suplementar, no mês passado, que incluíram fartas inscrições no programa Cesta da Família. Tripudiou e sapateou na cara da Justiça Eleitoral e elegeu seu candidato a prefeito naquele município.
GRILAGEM
Com relação ao esquema de grilagem, o advogado James Garcia quase diariamente faz novas e bombásticas revelações no seu perfil no Instagram (@james.garciabr) sobre grilagem de terras que ele diz estar sendo comandado pelo governador cassado Antonio Denarium. O causídico não esconde nomes nem economiza adjetivos. Veja um dos vídeos.
CASO DO SEGURANÇA
Somente a denúncia feita por James Garcia no Ministério Público Federal (MPF) seria suficiente para implodir o âmago do Palácio Senador Hélio Campos. No entanto, o assassinato do casal de agricultores Flávia Guilarducci, 50 anos, e Jânio Bonfim de Souza, 57, foram assassinados covardemente a tiros no Município do Cantá, no mês passado, caiu no colo do governador, pois um dos suspeitos era nada menos o chefe de segurança do governador, o capitão da Polícia Militar Helton John Silva de Souza, 48 anos, demitido uma semana depois de o caso repercutir.
NO FUTEVÔLEI
O envolvimento do capitão da PM é digno do filme “Matou e foi ao cinema”. Mesmo sob intenso olhar da mídia e da opinião pública, o ex-chefe de segurança de Denarium, enquanto as denúncias e críticas pipocavam nas redes sociais, o militar não se intimidou de ir jogar futevôlei com os amigos na maior e mais frequentada praça pública de Boa Vista, o complexo poliesportivo Ayrton Senna.
VITIMISMO
Agora, nesses últimos dias, o capitão foi para as redes sociais se passar de vítima. Disse que iria registrar ocorrência policial porque percebeu que havia um carro sob suspeita de estar o monitorando. De outro lado, os advogados dos suspeitos também foram para as redes sociais dizer que seus clientes estariam passando por “lixamento moral” e acusam a polícia de vazar o áudio gravado pela mulher no dia em que o casal foi assassinado a tiros.
ITERAIMA
Esse áudio não só é peça-chave para elucidar o crime, como também traz graves acusações de supostos esquemas dentro do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima), em que é falado que o órgão fundiário tem um esquema instalado. Chama a atenção é que ninguém fala nada sobre isso, como se todos quisessem que a caixa-preta da grilagem fique bem guardada.
MILÍCIAS

O escândalo desse governo não se limita apenas ao caso do capitão da PM que comandava a segurança do governador cassado. Policiais da Corporação são acusados de integrar uma milícia que executava pessoas detidas simulando um enfrentamento com os policiais. Como se não bastasse, um policial militar é suspeito de ter matado uma adolescente de 17 anos no Município de Rorainópolis. Foi no governo Denarium que ocorreu o caso de policiais militares formando milícia que davam apoio ao garimpo ilegal, no caso do roubo de um avião em que um PM morreu, em setembro de 2022.
NO LAMAÇAL
O governo de Denarium está atolado até o pescoço no lamaçal. Isso sem contar com casos do passado entre os seus familiares. O irmão do governador foi citado na CPI da Covid ao ter sido acusado de tentar favorecer uma empresa na Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) no período da pandemia. A irmã dele foi alvo de operação contra lavagem de dinheiro de garimpo ilegal. A esposa, Simone Denarium, foi nomeada para o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em um episódio barulhento de favorecimento e até suspeita de muito dinheiro rolando nas mãos de deputado.
CONTROLADOR

E não é “apenas” isso, não. O governador Denarium nomeou para o cargo de controlador-geral do Estado, em janeiro deste ano, o ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR) Regys Odlare Lima de Freitas. Para quem já se esqueceu, ele era o reitor em agosto de 2023 quando a Polícia Federal desencadeou a Operação Harpia e apreendeu R$ 3,2 milhões em dinheiro vivo dentro de uma caixa de papelão durante busca e apreensão que apurava um esquema de pagamento de propina que envolvia a UERR. É mais ou menos o caso de raposa tomando conta do galinheiro.
