É necessário pensar nos reflexos do inverno e do verão rigorosos para o setor turístico

Setor turístico também é atingido diretamente pelas tragédias ambientais no verão e no inverno

Se o Estado de Roraima enfrenta as históricas consequências de um inverno rigoroso, é bom lembrar que a mais recente atualização da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) é que há 82% de chances de um super El Niño começar a partir de já. A NOAA é uma instituição de pesquisa federal dos Estados Unidos, a qual vem afirmando que até dezembro deste ano as chances desse fenômeno se desenvolver são de 96%, o que significa que sua chegada é quase certa.

Conforme os pesquisadores, o que ainda não se sabe é qual será a intensidade desse El Niño. Mas as experiências de homens e mulheres amazônidas é de que teremos, de fato, uma super estiagem em Roraima, já que os sinais indicam que esse inverno chuvoso não se manterá rigoroso por muito tempo, o que permitirá uma transição rápida para uma forte estiagem antes do fim do ano, conforme as instituições climáticas vêm alertando desde o ano passado.

Trocando tudo isso em miúdos, enquanto as autoridades estão envolvidas com os alertas de chuvas intensas e as emergências com alagamentos, enxurradas, pontes arrastadas, estradas comprometidas e famílias desabrigadas, as mudanças climáticas severas já exigem que essas mesmas autoridades comecem a se preparar para um cenário sombrio de estiagem, com queimadas nos lavrados e incêndios florestais, além dos setores econômicos atingidos pela estiagem.

Os pequenos agricultores representam uma grande parcela dos que tradicionalmente são prejudicados com a falta de água para irrigação de seus plantios e para manter suas criações, além do fogo que ameaça as propriedades de uma forma geral: casas, currais, pastos, matas ciliares, plantios e criações. No entanto, geralmente, os olhares são voltados somente aos grandes produtores, para os quais o socorro é priorizado.

A ação do fogo nas áreas urbanas e rurais provocam não apenas sérias agressões ao lavrado, matas, locais de nascentes, mas também riscos à saúde das populações atingidas pela fumaça que se expande por todo o Estado. Ninguém está livre dos reflexos de uma forte estiagem, mesmo que esteja em áreas urbanas distante da ação do fogo. Isso é fato.

Incluído nas atividades econômicas atingidas pelos reflexos de uma forte estiagem está o Turismo e, por conseguinte, as pessoas que vivem dessa atividade. Donos de pousadas, restaurantes, café da manhã, pequenos comércios, condutores locais e guias de turismo também são afetados diretamente pelo inverno rigoroso e pela seca severa, embora esse setor venha sendo ignorado solenemente dentro das ações governamentais.

Passou da hora de autoridades enxergarem o Turismo como um dos setores atingidos pela rigorosidade tanto do inverno quanto do verão, além de outros problemas como garimpo ilegal, grilagem de terras e indefinição fundiária. Nesse momento de inverno rigoroso, muitos trabalhadores do setor estão sem poder trabalhar. Da mesma forma que ocorre durante as estiagens, quando a seca e o fogo atingem os pontos turísticos.

O que pode ser feito de imediato é a criação de leis garantindo um auxílio financeiro para que guias e condutores consigam se manter nesses períodos em que não podem trabalhar por causa do inverno e do verão rigorosos. Da mesma forma que os governos direcionam seus olhares para a pecuária e agricultura, os pequenos empreendimentos turísticos também precisam do apoio governamental nos períodos críticos, incluindo aí manutenção de pontes e estradas.

Nesse momento, enquanto muitos são afetados por alagamentos e enxurradas por todo o Estado, os trabalhadores e os pequenos empreendimentos de turismo também enfrentam sérias dificuldades no mercado turístico. As autoridades precisam planejar suas ações de prevenção e enfrentamento a secas e enchentes pensando também no Turismo, que é afetado diretamente pelas tragédias ambientais e mudanças climáticas severas. Passou da hora de pensar nisso.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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