
Existem dois estados de Roraima. Um deles é o que está no discurso dos políticos e nos institucionais de governo. O outro é o verdadeiro Estado, aquele onde vive uma população com suas demandas históricas nunca atendidas e as dificuldades de uma realidade muito distante da imaginação fértil de quem faz a política partidária.
Foram oito anos de reivindicações para que o principal ponto turístico de Roraima, a Serra do Tepequém, no Município do Amajari, tivesse a estrada livre da buraqueira e com as pontes de madeira passando ao menos por manutenção. É a mesma realidade de outras estradas e vicinais por todo o Estado de Roraima.
Não mais que de repente, em um momento eleitoral excepcional, a RR-203 começou a passar por um serviço de manutenção na malha asfáltica comprometida após oito anos de obras não realizadas ou executadas de forma precária, impondo riscos à vida das pessoas, além de prejuízos a condutores, inclusive com registro de vários acidentes de trânsito.
Nem mesmo a mais básica manutenção das pontes de madeira era realizada. E o que chama a atenção é que a ponte sobre o Igarapé do Balde, que está passando por nova manutenção nesse momento, entre a Vila Três Corações e a Vila Brasil, foi reformada duas vezes antes disso. Na primeira delas, a placa da obra informava um valor de mais de meio milhão de reais, serviço esse que teve de ser refeito porque foram trocadas apenas algumas peças de madeira, as quais foram pintadas.
Antes disso, os buracos na rodovia estadual estavam sendo tapados com barro, depois de seguidos contratos de recapeamento não cumpridos, e as pontes de madeira com suas estruturas comprometidas, o que deixou a Serra rdo Tepequém e outras comunidades isoladas por quase três semanas, este ano, prejudicando o turismo na região e a vida da população dos assentamentos.
Com a chegada do inverno, outras regiões de Roraima enfrentam situação semelhante, especialmente aquelas aonde os políticos não chegam normalmente, a não ser para pedir voto em período eleitoral. Se a vitrine do turismo local, a Serra do Tepequém, vive esse drama, então é de se imaginar o que ocorre em outras localidades onde não há visibilidade necessária para chamar a atenção da opinião pública.
O momento de cobrar é agora, quando teremos uma eleição suplementar em junho, para escolher o governador que irá administrar até o fim do ano, e a eleição de outubro, momento em que os eleitores irão escolher presidente, governador, senadores, deputados estaduais e federais para os próximos quatro anos. A Serra do Tepequém é exemplo disso.
*Por Jessé Souza
