Pesquisa em árvore da Serra de Tepequém descobre alternativa natural para controle de vetores da malária

Estudo demonstrou que o óleo essencial extraido da casca da planta Trattinnickia burserifolia, popularmente conhecida como breu-sucuruba, é eficaz no combate ao mosquito Anopheles, transmissor da malária

Conhecida como breu-sucuruba, árvore é abundante na região da Serra do Tepequém (Foto: Divulgação)

Principal ponto turístico consolidado de Roraima, a Serra do Tepequém não é só um local de belezas naturais extraordinárias. Um trabalho de pesquisa da doutoranda Gisele Guimarães de Oliveira, uma indígena da etnia Macuxi, e que contou com a participação do professor do Departamento de Química da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Antonio Alves Filho, identificou um óleo, extraído da casca de uma árvore típica de Tepequém, no Município do Amajari, como larvicida natural do mosquito transmissor da malária.

Publicado pela revista internacional Pharmaceuticals, com alto conceito acadêmico Qualis A1, o estudo demonstrou que o óleo essencial da planta amazônica Trattinnickia burserifolia, conhecida popularmente como breu-sucuruba, é eficaz no combate ao mosquito Anopheles, transmissor da malária, doença com significativa incidência na Amazônia Legal que já custou a vida de muitas pessoas e que acomete milhares de amazônidas. O artigo é de acesso aberto e os interessados podem acessar a publicação por completo neste endereço eletrônico.

O estudo se chama“Larvicidal potential of Trattinnickia burserifolia Mart. Essential oil in controlling the malaria vector in the Amazon”. A pesquisa é de autoria da doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede Bionorte – polo Rondônia, Gisele Guimarães de Oliveira, e foi desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFRR, Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A pesquisa foi orientada pelo professor da Fiocruz Rondônia, Andreimar Martins Soares, e teve a coorientação de Antonio Filho. “Dentro da UFRR, temos o Núcleo de Pesquisa e Pós-graduação de Ciência e Tecnologia [NPPGCT] em que temos o Laboratório de Química Ambiental, que é um espaço que faz parte da rede Bionorte. Ali estão sendo realizadas direta ou indiretamente várias pesquisas”, afirmou.

Antonio Filho disse que a pesquisa foi realizada a partir da casca de amostras da árvore amazônica. “Gisele trouxe a casca para o laboratório, higienizamos e fizemos a extração do óleo por um processo chamado de hidrodestilação. Esse processo usa a ação do vapor da água para liberar compostos que são oriundos da planta. A identificação do óleo e quantificação do óleo essencial foi feita na UFPB, a inibição do Anopheles, o mosquito da malária, foi feita na Fiocruz. Com a pesquisa detectamos que nas primeiras 24h, as larvas do Anopheles ficaram paralisadas e em 48h foram mortas”, explicou.

Para o professor, o trabalho em equipe realizado em rede, com contribuições de várias instituições de ensino e pesquisa, é fundamental para o desenvolvimento da ciência em prol da Amazônia. “O trabalho em equipe é o segredo do sucesso em pesquisa. É uma pesquisa importante pela incidência da doença da malária na região e vamos continuar trabalhando com esse assunto”, comentou.

“Incrível que um óleo essencial da Amazônia é um promissor produto para combater a malária no Brasil e no mundo. Fomos referendados pela Pharmaceuticals. Não é qualquer estudo que é publicado nessa revista. Eu sempre digo que uma andorinha só não faz verão, a gente trabalha em rede. Tenho muito orgulho da pesquisa e da nossa aluna que é macuxi, uma indígena vinda de dentro da UFRR”, complementou Antonio Filho.

A doutoranda Gisele Guimarães de OliveiraPossui possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Roraima (2004) e graduação em Licenciatura em Educação Física pelo Instituto Federal de Roraima (2014). É Especialista em Educação Ambiental e Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico e mestre em Recursos Naturais pela UFRR (2014). Desenvolveu pesquisa com óleos essenciais, identificação de constituintes químicos e análise em cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-MS).

Gisele tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino-Aprendizagem. Exerceu função de professora coordenadora da Feira de Ciências do Estado de Roraima (Iniciação Científica). Atualmente exerce a profissão de Bióloga no Hospital da Criança Santo Antônio e responde pelo Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde do hospital. É doutoranda em Biotecnologia pela Universidade Federal de Rondônia (Rede Bionorte)/Fundação Oswaldo Cruz. Estudante do grupo de pesquisa Oleoquímicos da Universidade Federal de Roraima e do grupo de pesquisa RED-CONEXAO.

Fonte: Universidade Federal de Roraima

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