Moradores da região Ametista estão ilhados, com crianças fora da escola e sem poder escoar a produção

Moradores gravaram vídeos quando aterro do desvio foi arrastado por um forte enxurrada pela segunda vez

Enquanto a população está descobrindo que as autoridades do Governo de Roraima tinham um helicóptero exclusivo para suas visitas ao interior do Estado, obviamente bancado com o dinheiro público, os moradores das mais distantes vicinais estão sofrendo com pontes de madeira desabando e vicinais intrafegáveis já com as primeiras chuvas do inverno roraimense.

A comunidade da Vila Ametista, no Município do Amajari, Norte do Estado, é uma delas. Os moradores estão ilhados depois que a ponte de madeira sobre o Igarapé da Laje ficou sob riscos iminente de desabar. Em seguida, o desvio foi arrastado por duas vezes pelas fortes enxurradas na região. Na segunda vez, servidores da Prefeitura avisaram que não iriam mais recuperar o desvio e nem atendem mais às ligações e mensagens enviadas pelos moradores.

Crianças já estão sem estudar há um mês desde que o tráfego de veículos foi interrompido devido às precárias condições da ponte, que impediu a passagem do transporte escolar, comprometendo seriamente o rendimento escolar dos alunos, que não conseguem chegar até a escola na vizinha Vicinal Bom Jesus.

As famílias produtoras estão sem poder escoar seus produtos agrícolas, acumulando prejuízos a cada dia, porque não podem mais abastecer a feira-livre na sede de Amajari, na Vila Brasil. A Vila Ametista é a única que abastece a feira da região, comprometendo também os consumidores, obrigados a pagar mais caros por produtos abastecidos de Boa Vista.

As lideranças comunitárias evitam falar sobre o assunto, temendo represálias caso suas denúncias ganhem repercussão na imprensa ou redes sociais. Mas, sob a condição de anonimato, moradores relatam que a prefeita do Amjari, Núbia Lima, esteve na localidade em setembro do ano passado, quando prometeu reformar somente duas das três pontes de madeira que estão com suas estruturas comprometidas, pois não haveria recursos para atender todas as necessidades.

No entanto, os meses se passaram e ninguém mais tratou sobre o assunto, mesmo existindo informações da existência de um contrato mantido pela Prefeitura, no valor de R$6,4 milhões, para manutenção de 175 metros de pontes, o que corresponde a um custo de R$36,7 mil por metro linear, em média. No entanto, o Portal de Transparência do Amajari não funciona, impedindo a população de fiscalizar a aplicação desse recurso.

Há um mês moradores da Ametista estão ilhados no Amajari (Fotos: Divulgação)

Há tempos a população sofre as consequências da falta de manutenção regular das pontes de madeira ou com reparos improvisados. O caso de maior repercussão ocorreu no mês passado, quando parte da população ficou isolada devido às fortes chuvas terem arrastado o desvio da ponte sobre o Igarapé Tucumã, na RR-203, deixando isolado várias localidades e também a Serra do Tepequem, o principal ponto turístico consolidado de Roraima.

Sofrendo as duras consequências das pontes de madeira deterioradas, os moradores têm reivindicado a construção de pontes de concreto, com seguidas cobranças feitas ao Governo do Estado e à Prefeitura do Amajari. No entanto, não há respostas concretas, restando apenas promessas por parte dos políticos e divulgação nas redes sociais que logo foi esquecida após a repercussão do caso.

Enquanto isso, as comunidades de todas as regiões são obrigadas a fazer reparos improvisados por conta própria para que possam manter o tráfego do transporte escolar e serviços essenciais ou mesmo atender a casos de emergência. Largados à própria sorte, os pequenos agricultores da Ametista acumulam prejuízos e começam a passar por sérias dificuldades financeiras ou mesmo com escassez de alimentos por falta de abastecimento.

Diante da grave situação, a Vicinal Ametista tornou-se o retrato fiel do descaso por parte das autoridades, pois nenhum político voltou para dar qualquer satisfação ou nem mesmo falam mais sofre a situação. Muito menos os servidores da Prefeitura retornaram lá depois que ficaram ilhados completamente com o rompimento do desvio devido às fortes chuvas que caíram no mês passado. Com seus filhos fora da escola e vendo suas necessidades mais básicas se complicarem, os moradores não sabem mais a quem recorrer.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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