Chuvas torrenciais revelam a verdadeira face da realidade de descaso com os pequenos

Fortes chuvas provocaram estragos em várias regiões, com pontes de madeira arrastadas (Imagens: Divulgação)

Não deu outra. As fortes chuvas que caíram por todo o Estado, no fim de semana, mostraram a verdadeira face da infraestrutura precária a qual a população do interior de Roraima é obrigada a viver desde o tempo de Território Federal, situação aviltante que se repete desde a constituição do Estado. Esta Coluna vem alertando, desde o início do ano, sobre o inverno rigoroso que estava por vir e o que iria acontecer.

Embora a realidade mais crítica seja a das comunidades indígenas de Bonfim, na região do Jacamim, que ficaram completamente isoladas devido a duas pontes de madeira terem sido arrastadas pela força das águas, o cenário de terra arrasada pelas enxurradas se repetiu em outras regiões, a exemplo de Bonfim e Cantá, onde as pontes de madeiras caindo aos pedaços vêm de longas datas.

Como estamos em pleno período eleitoral excepcional, o momento é de um grande pacto independente de bandeira partidária, de grupos político e das divergências dos que se dizem traídos e dos acusados de serem traidores. Não é mais possível tolerar a existência de duas realidades, a dos que tudo têm em relação a apoio governamental e a dos que vivem à míngua suplicando qualquer ajuda por parte das autoridades.

E assim, temos o Estado dos grandes e privilegiados com estradas asfaltadas e pontes de concreto que dão acesso a suas propriedades; e o Estado da maior parte da população, entre pequenos produtores e população interiorana de regiões isoladas, com estradas e vicinais na buraqueira ou na lama e atoleiros, além das pontes de madeira sem manutenção, o que mais parece uma realidade do Brasil colônia.

O inverno rigoroso ainda está só no começo, o que significa que até o fim de junho teremos outros cenários não menos vergonhosos nas estradas e vicinais das mais longínquas regiões. Enquanto isso, o novo alerta de um verão severo já vem sendo dado, o que significa que os mais pobres irão sair dessa realidade de desespero de um inverno turbulento para outra de um verão de grandes tribulações com seca, incêndios e fumaça.

Não há trégua para os mais pobres. Passou da hora de haver um verdadeiro pacto para tirar Roraima desse atraso proposital mantido há décadas pela política do descaso.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

Deixe uma resposta