
O Brasil precisa estar em alerta para a decisão do governo dos Estados Unidos da América (EUA) que classificou como organizações terroristas globais as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Já vimos isso acontecer com a Venezuela, quando o presidente norte-americano Donald Trump usou essa classificação para ampliar sansões e invadir a Venezuela. A mesma tática que está sendo usada em relação à Cuba.
Na mesma medida em que essa manobra é vista como uma ameaça à soberania brasileira, quem precisa estar terrivelmente preocupado não é apenas a velha política (ou a política velhaca) envolvida com corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado, mas também empresas, bancos e outros investidores, pois os EUA querem apenas um motivo para travar o agro, acabar com o Pix e intervir nas operações financeiras que os desagradam e ameaçam sua economia supremacista.
Vale tudo quando os interesses dos EUA estão em jogo. O petróleo na nossa vizinha Venezuela já pertence aos norte-americanos. Agora os olhares das grandes potências estão voltados para as terras raras, algo que o Brasil tem muito, a exemplo de Roraima, onde recentemente foi confirmada uma grande reserva no Município de Cacararaí. As facções brasileiras vêm bem a calhar dentro desse propósito, pois o crime organizado também passou a apostar no garimpo ilegal e já está de olho no grande negócio das terras raras na Amazônia.
Não são vozes da cabeça de conspiracionistas que estão dizendo isso. Um dos jornais mais influentes dos EUA, o The New York Times, divulgou que a pressão internacional por minerais críticos abriu uma nova frente de exploração ilegal na floresta amazônica, onde garimpeiros passaram a mirar terras raras e outros recursos estratégicos usados em tecnologias como veículos elétricos, drones, mísseis guiados e caças a jato. A notícia foi repercutida pela grande mídia brasileira.
Outra fonte, a BBC News Brasil, em Brasília, publicou em março passado que os EUA haviam dado início a uma ofensiva bilionária para ter acesso às reservas de minerais críticos e de terras raras do Brasil, que tem entre 20% e 23% das reservas mundiais, a segunda maior atrás apenas da China. Por isso o Brasil tornou-se estratégico para o plano dos EUA para reduzirem sua dependência da China.
A BBC informou que a ofensiva norte-americana ocorre em duas frentes: uma econômica e outra política, envolvendo tanto investidores privados como setores do governo de Donald Trump como o Departamento de Guerra. Na frente econômica, os EUA se preparam para ampliar os investimentos em companhias brasileiras ou estrangeiras que já detêm autorizações de pesquisa ou exploração de minerais críticos no país.
Na frente política, o governo dos EUA quer que o governo brasileiro assine um acordo sobre o assunto o mais rápido possível. É aqui onde está a tática de forte pressão colocada em prática por Donald Trump, que tem usado de toda estratégia junto a políticos brasileiros entreguistas e extremistas, os quais abertamente defendem os interesses norte-americanos em suas pautas políticas e partidárias, inclusive empunhando a bandeira americana em seus atos públicos e privados.
Logo, não são apenas os políticos enredados com corrupção, influenciadores de jogos de azar e empresários da lavagem de dinheiro, os quais são usados para lavar dinheiro do PCC e CV, que precisam estar preocupados. Mas todos os setores estratégicos da economia brasileira. Essa política velhaca é responsável por sustentar o avanço dessas facções e misturar o dinheiro da corrupção com o dinheiro do crime organizado, que se misturam com as contas pessoais de parlamentares corruptos, influenciadores de joguinhos na internet, empresários e outros lavadores de dinheiro sujo.
Roraima é exemplo do grande esquema, onde o garimpo ilegal apoiado por políticos abrigou ou se associou ao crime organizado. A política local tem visto coronéis e outros militares da Polícia Militar investigados por venda de armas, formação de milícia, apoio ao garimpo ilegal e crimes eleitorais. Tem até familiares de políticos presos por tráfico de droga e garimpo ilegal. Rio de Janeiro é outro exemplo da mistura do crime com a política, onde em 30 anos todos os governadores foram presos, cassados ou destituídos.
*Por Jessé Souza
