Desmatamento reduz no país, mas dados mostram que Roraima é o segundo em maior alta

Garimpo ilegal em terras indígenas é uma das frentes responsáveis pelo desmatamento (Foto: Divulgação)

Instituições que monitoram o meio ambiente divulgaram queda no desmatamento no país. O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), do MapBiomas, aponta redução de 20,6% em 2025 em relação a 2024. Pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano, com todos os biomas brasileiros registrando redução da área desmatada.

Por sua vez, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registrou, de agosto de 2025 a abril de 2026, desmatamento zero nas 262 terras indígenas e 220 unidades de conservação na Amazônia, equivalente a 67% das áreas protegidas da região. Isoladamente, abril de 2026 computou 175 km² de floresta destruídos, resultado 25% menor do que o apurado no mesmo mês de 2025, sustentando a trajetória de queda.

Conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon, a derrubada florestal caiu 35% nos 9 meses entre agosto de 2025 e abril de 2026 em toda a Amazônia. No entanto o dado negativo é que Roraima registrou a maior alta proporcional do desmatamento em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, superado apenas por Maranhão.

No Maranhão, a área devastada passou de 2 km² para 5 km², avanço de 150%. Por sua vez, o Estado de Roraima registrou crescimento de 100%, seguido do Pará, com aumento de 62%. Já Amazonas teve a maior queda proporcional, de 59%, ao passar de 93 km² para 38 km². Significa que o sinal de alerta segue em Roraima, onde o garimpo ilegal, queimadas, grilagem de terras e madeireiras ilegais são os principais responsáveis pelo desmatamento.

No geral, os dados mostram positivamente que as áreas protegidas, a exemplo de terras indígenas e unidades de conservação, são os territórios que menos registram desmatamento, confirmando a necessidade de os governos estaduais e federal, além dos municípios, cuidarem e protegerem áreas públicas que ainda estão sem destinação, as quais são alvos preferenciais de invasores, especuladores e grileiros.

Os números reforçam essa preocupação. Nos últimos sete anos, a série histórica do MapBiomas Alerta, indicam que o Brasil perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior à do Estado de Pernambuco. A Amazônia e o Cerrado foram os biomas mais desmatados em 2025. Juntos, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda área desmatada no país no ano.

Embora a Amazônia tenha registrado uma redução de 23,5% de área desmatada frente ao ano anterior, o desmatamento no bioma foi de 792 hectares por dia, o que equivale à perda de cerca de 5 árvores por segundo, conforme análise do MapBiomas.

As formações savânicas (que inclui o lavrado roraimense, que está sendo ocupado pela soja e pasto) lideram o tipo de vegetação nativa mais ameaçada, que pelo terceiro ano consecutivo foram as mais afetadas pelo desmatamento, respondendo por 51,4% da área total desmatada.

Os dados estão aí e podem piorar, pois existe mais um pacote da maldade com projetos de lei que tramitam no Congresso que visam fragilizar a proteção ambiental no país. São cinco propostas que enfraquecem o uso do embargo remoto com base em imagens de satélite pelos órgãos ambientais no combate ao desmatamento, afrouxam a proteção a espécies de interesse econômico, ameaçam campos nativos e reduzem o tamanho da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, diminuindo seu grau de proteção.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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