
A agência climática dos Estados Unidos NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou a chegada do El Niño para os próximos meses, o que significa sérios riscos de seca severa no Norte, especialmente na Amazônia, com temperaturas mais altas e registros de queimadas descontroladas e incêndios florestais. Já se sabe que o fenômeno climático vai ocorrer. O que se discute agora é se haverá ou não força recorde com um super El Niño.
Para Roraima significa que os eleitores irão para as urnas na eleição suplementar, no dia 21 de junho, ainda sentido os fortes reflexos de um inverno rigoroso, com 10 municípios em situação de emergência; e, agora, também irão votar na eleição regular, em 4 de outubro, mediante uma seca que promete ser rigorosa, cuja principal consequência são os incêndios que também provocam tragédias ambientais e humanas por todo o Estado.
No momento, o Estado ainda está sob os efeitos de chuvas rigorosas, com as autoridades sendo pressionadas a agir diante de alagações na Capital e municípios do interior, onde há registros de atoleiros, pontes de madeiras arrastadas pelas águas, deslizamentos em estradas, além de comunidades indígenas isoladas, com estudantes sem poder chegar na escola porque não há condições para o transporte escolar atuar.
Com a confirmação do El Niño, logo após os efeitos do inverno rigoroso cessarem, será necessário ações imediatas de prevenção a incêndios criminosos e queimadas descontroladas para evitar tragédias semelhantes às que ocorreram nas secas históricas de 1982-83 e 1997-98. Estima-se uma probabilidade de 63% de um El Niño muito forte durante o período de seca roraimense que vai até janeiro de 2027.
Conforme os especialistas, esse fenômeno natural nasce do aquecimento anormal das águas do Pacífico e que pode alterar o padrão de chuva e calor em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam registrar mais chuva no Sul, risco de seca no Norte e no Nordeste, bem como temperaturas mais altas em várias regiões, o que pode significar calor mais extremo em Roraima.
Nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) diz que o El Niño deste ano pode reduzir o volume de chuvas na Amazônia, o que pode levar a um aumento no risco de fogo no bioma, a exemplo do que ocorre anualmente no Estado. Em virtude dessas previsões, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou o Governo Federal e os estados parte da Amazônia e do Pantanal a informar o planejamento e os preparativos frente ao aumento do risco de incêndios florestais e nas áreas de lavrado (cerrado).
O alerta vem sendo emitido há um certo tempo. Conforme as agências climáticas internacionais, desde 2006 uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado. Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. O momento é de atenção para se antecipar às tragédias.
*Por Jessé Souza
