
Nem ao debate realizado pela emissora de maior audiência, que chega a todos os municípios, a TV Roraima, o governador Antonio Denarium (PP) decidiu comparecer, na noite desta terça-feira. Fugiu de todos os debates e já vinha sendo chamado ironicamente de fujão desde que deixou de ir ao primeiro. Mas o que teme Denarium ao perder oportunidades importantes para mostrar aos eleitores seus feitos durante quatro anos e suas propostas para uma nova administração?
Seus assessores e conselheiros políticos ficaram acuados em decidir entre Denarium comparecer aos debates e ter que enfrentar críticas e questionamentos sobre seu governo; ou ficar com fama de fujão se escorando na possibilidade de que os eleitores acreditarem realmente que ele está na frente das pesquisas eleitorais. Então Denarium foi aconselhado a ir para o sacrifício de mentir que estava ocupado com sua agenda.
A verdade é que Denarium mostrou-se um governador pusilânime, um fracote que não conseguiria se defender, em qualquer debate, das mentiras que ele sustentou até aqui, da falta de propostas para um próximo governo e dos remendos de seu governo na área da Saúde e da Educação, além do abandono das estradas e dos pequenos produtores.
Seus marketeiros acharam que Denarium iria emplacar a imagem do “homem que salvou Roraima” e do “grande construtor que fez em três anos o que nenhum político fez em 30 anos”. Era muita petulância para um governador fracote, que planejou passar três anos “economizando” recursos públicos, enquanto o povo passava sérias dificuldades, para que pudesse montar um verdadeiro canteiro de obras no último ano de governo.
Ao tentar emplacar essa estratégia, deixou de construir e reformar escolas, não resolveu o problema do transportes escolar, não construiu pontes nem asfaltou estradas ou fez conservação das vicinais por onde transitam os verdadeiros construtores de Roraima, os pequenos e médios produtores. Muito menos cuidou das duas mais importantes unidades hospitalares, o Hospital Geral de Roraima (HGR) e o Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN).
Além de não conseguir fazer um simples reparo no telhado do HGR, fracassou na única obra programada para ser um grande feito, que era terminar o anexo do HGR, chamado de Bloco E, uma obra mal feita, que custou uma fortuna, mas foi entregue com os mesmos problemas do antigo HGR, com teto caindo, infiltrações, sangue jorrando do forro, equipamentos sem funcionar e os demais problemas antigos, como falta de medicamentos etc etc etc.
Outra obra programada para ser outro grande feito, a reforma do HMI, que é a única maternidade pública do Estado, restou em um tormento para a população. Sem qualquer planejamento, a maternidade foi transferida para um hospital de campanha, coberto de lona, onde a qualquer chuva o teto cai e se formam imensas cachoeiras em cima de mães grávidas ou com seus bebês recém-nascidos. Um verdadeiro terror inadmissível para um governo que teve três anos para preparar essa reforma.
É isso o que teme Denarium: enfrentar a realidade dos fatos, tendo que se explicar pelos retumbantes fracassos, e sem ter o que mostrar de propostas, uma vez que sua administração foi escorada apenas em mentiras. O governador treme só em pensar que poderia encarar o candidato Juraci Escurinho (PDT), que se mostrou uma verdadeira metralhadora giratória e não mediu palavras para chamar Denarium de “fujão, mentiroso, ladrão e quadrilheiro”.
Denarium também sente calafrios ao pensar na possiblidade de encontrar outros candidatos que iriam não só questioná-lo nos debates, mas mostrar que eles têm propostas para tirar o Estado de Roraima desse desalento. Ele sabia o que podia ouvir, assim como viu e ouviu a então governadora Suely Campos, no debate de 2018 da TV Roraima, chamá-lo de “agiota”, acusação que ele engoliu seco e não desmentiu.
Pensando bem, Denarium não tinha mesmo condições de comparecer a debates, pois não tem propostas nem trabalho relevante a mostrar. O governador não conseguiria responder nem a mais básica das perguntas: “Para quê o senhor quer mais quatro anos?”
