
A morte do principal chefe da organização criminosa transnacional venezuelana Trem de Aragua, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, durante operação conjunta entre os Estados Unidos e a Venezuela, na semana passada, traz um alerta para Roraima, que precisa estar atento a uma possível movimentação de criminosos para o lado brasileiro.
A ofensiva contra os criminosos no país vizinho pode provocar uma fuga de muitos faccionados venezuelanos, os quais se estabeleceram no Estado e estão bem organizados principalmente em Boa Vista, onde o Trem de Aragua domina o tráfico de droga nos bairros 13 de Setembro, Tancredo Neves, Buritis, Caimbé, Liberdade e Asa Branca, além dos abrigos da Operação Acolhida que recebe refugiados e migrantes venezuelanos em solo brasileiro.
Desde a intensificação da crise migratória venezuelana, os bandidos já encontravam facilidade para atravessar a fronteira e, em um consórcio criminoso com a facção brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), o Trem de Aragua já avançou para os estados de Santa Catarina, Paraná e Amazonas, onde costumam a agir com extrema violência no domínio de território e na cobrança de dívidas por droga.
Muito antes da crise no país vizinho, os criminosos dominavam as passagens clandestinas na fronteira, no Município de Pacaraima, antes chamadas de “transmuambeiras”, que eram rotas usadas por terras indígenas não só para contrabando e descaminhos, mas também para entrada ilegal de estrangeiros e tráfico de armas e de drogas, ilícitos que se intensificaram com a evolução do garimpo ilegal nos dois lados da fronteira.
Nos últimos meses, em Boa Vista, os crimes brutais praticados por faccionados na disputa por território no tráfico de drogas deixaram de ser registrados, em parte porque as autoridades começaram a agir, com a polícia investigando e a Justiça condenando os autores de homicídios, como também as organizações criminosas passaram a atuar de forma a não chamar a atenção da opinião pública e das autoridades.
Com a ofensiva de autoridades venezuelanas e norte-americanas contra o Trem de Aragua, surge o sinal de alerta no sentido de que possa haver uma movimentação de bandidos venezuelanos para Roraima e outros estados brasileiros onde a organização criminosa atua. As áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami são pontos de atuação de faccionados, onde eles atuam no narcogarimpo.
Não é porque os crimes brutais na Capital deixaram de ser noticiados que isso possa significar que as facções estão sob controle. Absolutamente não. Muito pelo contrário. Quando os criminosos estão em silêncio, sem grandes novidades na imprensa, é porque há algo muito grande ocorrendo nos bastidores. O momento requer atenção redobrada por parte das autoridades, cujas atenções estão voltadas para uma eleição suplementar na qual o assunto sequer é tocado.
*Por Jessé Souza
