
O técnico de enfermagem Vilson Sousa foi morto a flechada por um indígena na Comunidade Maraxi-u, na região de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, na manhã de hoje. O corpo foi removido de avião hoje à tarde para Boa Vista.
O funcionário do Distrito Sanitário Especial Yanomami (Dsei-Y) negou ao indígena que ele colocasse o celular para carregar, o que o revoltou. Como represália, o Yanomami deu uma flechada que perfurou o pulmão do técnico de enfermagem, que morreu no local antes que pudesse ser socorrido.
A comunidade onde ocorreu o assassinato fica em uma região isolada na terra indígena onde ocorrem repetidos conflitos devido à ação do garimpo ilegal, por isso os funcionários do Dsei sempre são ameaçados a qualquer insatisfação tanto por parte dos indígenas quanto dos garimpeiros.
Os colegas de Vilson estão organizando a realização de um protesto em frente ao Instituto Médico Legal (IML), no bairro de Liberdade, para onde o corpo foi enviado. Os trabalhadores da saúde indígena querem reivindicar segurança e melhores condições de trabalho.
“Queremos justiça, pois como se trata de um indígena, provavelmente nada vai acontecer com ele”, comentou uma colega de profissão da vítima. “Nesse local onde ocorreu o assassinato, os colegas fizeram um relatório e pediram apoio da Força Nacional. Nunca deram ouvidos para nós”.
