Cavernas do Igarapé Preto proporcionam experiência única na Serra do Tepequém

Caverna do Sofá proporciona um banho de cascata logo na entrada

Se as chuvas impedem um banho de cachoeira durante o inverno, a Serra do Tepequém proporciona outras belezas naturais que podem ser visitadas no período chuvoso. Uma delas está escondido debaixo das imensas rochas: as cavernas do Igarapé Preto, localizadas nas propriedades particulares da Família Guimarães, uma das pioneiras do auge do garimpo de diamantes e que hoje se estabeleceu junto com o turismo.

Cinco anos depois (veja primeira matéria aqui), voltamos para apreciar um momento diferente, quando as chuvas encorpam as águas do Igarapé Preto, que se infiltram nas rochas e caem em forma de cascatas nas cavernas, proporcionando um espetáculo subterrâneo. Acompanhado de um guia, que conhece bem a região e o clima local, o passeio é seguro e proporciona uma experiência única para o turista.

Rone Buriti é o guia que leva até as cavernas

Morador do local, o guia Rone Buriti não só conhece bem a região como já trabalhou dentro dessas cavernas quando garimpava diamante na década de 1990. Ele disse que, no auge do garimpo, essas cavernas eram dinamitadas para facilitar a exploração de diamante, o que garante passagem segura por entre as rochas, desde que acompanhado de um guia experiente.

No Igarapé Preto, cujas águas descem da nascente no Platô, existem três cavernas que ficam dentro da propriedade da Família Guimarães, que teve como pioneiro Benedito da Gama Guimarães, o Beneditão, já falecido, um dos primeiros a chegar a Tepequém ainda na década de 1930, que foi casado com Iraci Colares Guimarães, que hoje tem 86 anos e ainda está lúcida para narrar a História.

É a partir da propriedade dessa família que começa a trilha para as cavernas, que começaram a ser exploradas em favor do turismo. São cerca de 20 minutos de trilha até alcançar a entrada da primeira caverna, subindo a serra, acompanhando o curso d’água do igarapé.

Um dos filhos de Beneditão e de Dona Iraci é o Rone Buriti, que é o apelido do comerciário Raimundo Colares Guimarães, 52,  que conduz o turista para conhecer esse mundo oculto debaixo das rochas.

Nas cavernas o turista experimenta o mistério de um mundo subterrâneo. A experiência do guia é essencial para o visitante ser orientado para se ambientar com o espaço e até mesmo com a maneira de respirar em um ambiente debaixo das pedras, onde a pessoa experimenta novos sons, luminosidade e noção de espaço.

As águas geladas e escuras do Igarapé Preto que descem a serra entram pelas fendas e saem um pouco mais à frente, proporcionando uma água corrente, portanto, sem risco de alagar. Na Caverna do Sofá, a primeira delas, as cascatas caem em um dos salões, proporcionando um espetáculo único durante o passeio.

As cavernas também escondem mistérios. Inclusive há uma lenda de que as piscinas naturais que se formam dentro desses locais, ao longo da imensa corredeira que desce da serra, seriam fontes da juventude.

Existem várias outras cavernas por toda a serra, a maioria desconhecida do público e até mesmo de moradores mais recentes, pois eram exploradas por antigos garimpeiros e que acabaram sendo abandonadas, tendo suas entradas encobertas por deslocamento do solo ou de pedras e ainda pela vegetação que cresceu ou mesmo tomadas pelas águas dos igarapés.

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