Sob protestos, Senado cria grupo para regular mineração em terras indígenas

Entidades ligadas aos povos indígenas repudiaram a criação do grupo de trabalho por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o qual será responsável pela elaboração de um projeto de lei que visa regulamentar a mineração em terras indígenas, com os senadores tendo um prazo de 180 dias para conclusão dos trabalhos e apresentação da proposta

Amazônia concentra 92% de toda a área garimpada no Brasil (Foto: Divulgação)

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), criou um grupo de trabalho (GT) para elaboração de um projeto de lei (PL) para regulamentar a mineração em terras indígenas. Os senadores terão 180 dias para conclusão dos trabalhos e apresentação da proposta.

O grupo de trabalho é composto por 11 senadores e será coordenado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro (PL) e voz atuante do agronegócio. Também irão compor o grupo de trabalho: Plínio Valério (PSDB-AM), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Eduardo Braga (MDB-AM), Zequinha Marinho (Podemos-PA), Marcos Rogério (PL-RO), Rogério Carvalho (PT-SE), Efraim Filho (União-PB), Weverton (PDT-MA), Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Senador Cid Gomes (PSB-CE).

Por meio de nota, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) condenou a criação do grupo de trabalho para regulamentar a exploração mineral em terras indígenas: “A Apib reforça que a regulamentação da mineração em terras indígenas não representa uma solução econômica sustentável nem para os povos indígenas, nem para o Brasil. A atividade, muitas vezes ilegal e predatória, causa degradação ambiental irreversível, contamina rios com mercúrio, destrói modos de vida tradicionais e alimenta redes de crime organizado”.

Segundo o MapBiomas, a Amazônia concentra 92% de toda a área garimpada no Brasil, com 241 mil hectares. Desse total, 10% ficam dentro de terras indígenas. Os territórios mais afetados são: Kayapó, Munduruku e Yanomami.

“As terras indígenas são as áreas mais preservadas da Amazônia. Ainda assim, no seu interior, a concentração de garimpos próximo aos cursos d’água é extremamente preocupante, uma vez que populações indígenas e ribeirinhas usam quase que exclusivamente dos rios e lagos para sua subsistência alimentar. A contaminação dos rios e lagos representa para ribeirinhos e indígenas a fome, a sede e graves riscos à saúde destas comunidades – todos muito mais graves nas fases iniciais da vida”, explica Cesar Diniz, da Solved e coordenador técnico do mapeamento de mineração no MapBiomas.

Fonte: Senado cria grupo para regular mineração em terras indígenas | Metrópoles

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