
Moradores do Residencial Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, voltaram a viver dias de terrível pesadelo por causa de um esgoto que estourou e transbordou na entrada do Condomínio Angelim. Por onze longos dias, dejetos e uma lama fétida verteram no corredor de entrada dos apartamentos, a partir de onde escorreram pela calçada e tomaram conta do estacionamento do prédio, acumulando toda lama contaminada em via pública.
O problema começou na sexta-feira anterior ao feriadão de Carnaval, dia 13, quando os moradores foram ignorados pela Companhia de Água e Esgoto de Roraima (Caer) após várias ligações, a qual só enviou uma equipe nesta segunda-feira, 23, para consertar o esgoto, que durante todos esses dias de uma agonizante espera foi motivo do sofrimento de várias famílias, com algumas tendo que dormir na casa de amigos ou parentes durante o período carnavalesco.
Os que não tiveram a quem recorrer, foram obrigados a suportar o forte odor, além de meterem os pés na lama fétida, pois não havia outra alternativa para entrar e sair dos apartamentos. Uma moradora até tirou dinheiro do próprio bolso para tentar amenizar o problema, mas não conseguiu. Quando a equipe da Caer chegou ontem à tarde para fazer o serviço de reparo, houve até quem pedisse para os moradores retirarem a denúncia feita à imprensa, provocando mais revolta, com xingamentos e bate-boca.
Mas esse tormento é antigo e recorrente. Em novembro de 2024, os mesmos moradores procuraram a imprensa e ligaram para a Caer, que chegou ao cúmulo de pedir que aguardassem até um mês para que tudo fosse solucionado. Ao mesmo tempo, a Caer foi para as redes sociais informar que vinha mantendo equipes técnicas atuando em regime de plantão para atender especificamente a Exposição Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), que ocorria à época.
Não se trata apenas de uma questão de reclamação de contribuintes, que inclusive pagam caro pelo serviço de esgoto sanitário, mas de humanidade, pois o esgoto que extravasou no corredor principal do Condomínio Angelim afetou a o bem-estar e a qualidade de vida de dezenas de pessoas, colocando a saúde de todos em risco, inclusive de quem mora nos demais condomínios vizinhos que precisam passar pelo local. O Ministério Público já deveria ter agido de ofício, pois essa realidade é de domínio público.
Em julho de 2024, os moradores do Condomínio Cedro passaram pelo mesmo problema e procuraram a FolhaBV para denunciar a grave situação, apontando iminentes riscos para as crianças, obrigadas a brincar perto da lama contaminada. As denúncias tornaram-se cenas repetidas de descaso e diante da mesma morosidade da Caer, que sempre se limitou a soluções paliativas.
Apesar das reclamações e denúncias, os moradores passaram meses com o esgoto extravasando em via pública e retornando para os apartamentos por meio do ralo da cozinha ou do vaso sanitário, tornando a vida dos moradores um terror diário, em meio à fedentina, sujeira e contaminação do ambiente.
Não bastasse a criminalidade que avança sobre o Vila Jardim, com as famílias sendo obrigadas a viver de sobressaltos a qualquer hora do dia e da noite por causa do tráfico de droga e disputa de territórios por faccionados, mesmo que a Polícia Militar mantenha a sede do 1º Batalhão por lá, os recorrentes problemas de esgoto estourado impõem aos moradores um sacrifício a mais e de forma injustificada e desumana. Isso precisa ser lembrado pela população em um ano eleitoral.
*Por Jesse Souza
