
A saga da obra da ponte do Tucumã, na estrada de acesso à Serra do Tepequém, no Município do Amajari, prossegue na mesma medida em que os prejuízos aos empreendedores, guias, condutores e demais trabalhadores que sobrevivem do turismo acumulam prejuízos. O fato se reveste de importância não apenas por isso, mas porque Tepequém é o principal ponto turístico consolidado de Roraima e, portanto, uma vitrine para o Estado e para os políticos, mas que mesmo assim segue ignorada.
Significa que, se um importante ponto turístico, que chega a receber até 3 mil pessoas em feriados, é submetido a este nível de descaso, logo é possível imaginar a situação de abandono em outras centenas de vicinais e estradas onde pontes de madeira desabam e provocam acidentes. No Município de Rorainópolis, no Sul do Estado, produtores rurais enfrentam situação semelhante nas vicinais, inclusive um problema recorrente, situação que pode piorar diante de um inverno que promete ser rigoroso a partir de maio.
Em Tepequém, a conclusão da reforma da ponte de madeira sobre o Igarapé Tucumã virou um drama, pois a região ficou isolada no início da Semana Santa depois que o desvio foi arrastado pela enxurrada, obrigando a empresa contratada a apressar a obra de reforma. No entanto, faltou madeira para concluir o serviço, impondo riscos a condutores diante de uma obra visivelmente feita sem qualquer planejamento, fora do crivo de quem deveria fiscalizar diante da emergência.
Ou seja: o que deveria ter sido concluído no início do ano, quando a estiagem chegou forte e sem registro de chuvas na região, precisou ser apressado para ser concluído em questão de dias, mas a conclusão da obra ficou prejudicada por essa falta de material. A conclusão só deverá ocorrer no sábado. E tudo isso sob a frustação e indignação dos moradores de Tepequem e de outras vilas da região (Trairão, Bom Jesus e Ametista), os quais vêm cobrando a reforma da ponte desde 2024 por ser o único acesso àquela região.
De tanto a população cobrar, a obra foi anunciada pelo próprio governador da época, Antonio Denarium, em 13 de abril de 2025, o que acabou não ocorrendo, a ponto de os moradores e empreendedores da Serra do Tepequém terem que se mobilizar, em agosto de 2025, para fazer uma amarração improvisada para segurar os pilares da ponte comprometidos para que não fossem arrastados pela correnteza. Foi somente após isso que a obra realmente começou, se arrastando até os dias de hoje, quase um ano depois do anúncio da obra.
O tamanho do descaso é muito mais amplo que isso, pois são 10 pontes de madeira ao longo da RR-203, a maioria já deteriorada pela ação do tempo e desgaste em virtude do peso dos veículos. Reformas paliativas têm sido feita em algumas delas, mas somente depois que ameaçam desabar ou provocam acidentes, consumindo um grande volume de recursos em obras paliativas.
Até aqui, as autoridades sequer se manifestaram para apresentar um projeto para que essas pontes sejam feitas de concreto, solucionando definitivamente o problema, para o bem do desenvolvimento não apenas do Turismo, mas do município em geral, que precisa de infraestrutura segura para gerar emprego e renda na agricultura, pecuária e piscicultura, atividades em franca expansão do Amajari. Mas quem disse que os políticos estão interessados nisso?
*Por Jessé Souza
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