Roraima precisa de plano de contingência para enfrentar a forte estiagem que está por vir

Lavrado de Roraima é suscetível ao fogo durante período de seca (Foto: Foto: Prevfogo/Ibama)

À medida que o inverno roraimense vai diminuindo de intensidade, depois de um período marcado por fortes chuvas, as autoridades também vão se esquecendo dos impactos provocados no Estado, da mesma forma que também não se vê ninguém preocupado com as previsões das agências climáticas internacionais que alertam para a chegada de um super El Niño, com efeitos climáticos mais intensos já registrados desde o início da série histórica, em 1950.

No Norte, o fenômeno é marcado por redução das chuvas e elevação da temperatura, o que deixa os estados dessa região mais vulneráveis às secas prolongadas e às queimadas, como é o caso de Roraima, onde incêndios florestais e queimadas descontrolas no lavrado costumam provocar tragédias ambientais, prejuízos econômicos, riscos à saúde e à vida humana, além de secas de lagos, rios e igarapés.

Enquanto outros estados, a exemplo do vizinho Amazonas, vem anunciando planos de contingência para Emergências em Saúde Pública Relacionadas a Eventos Climáticos Sazonais de Seca e Estiagem, em Roraima as autoridades fazem silêncio, enquanto na política partidária o que ressoa mesmo são casos de corrupção, incluindo a disputa eleitoral com forte insinuação de um “esquema Pix” na disputa por vagas em siglas partidárias para futuras candidaturas nas eleições de outubro.

A verdade é que não somente o Estado precisa de um plano de contingência, mas também os municípios para que tomem medidas a fim de dar respostas diretas e antecipadas aos efeitos dos eventos climáticos extremos em Roraima, visando mitigar os efeitos da seca e das queimadas sobre o meio ambiente e a saúde da população roraimense, especialmente naquelas regiões mais vulneráveis ao fogo.

O Município do Amajari é um dos exemplos, por integrar o chamado “arco do fogo”, onde a seca severa acaba criando um ambiente propício para incêndios florestais e queimadas no lavrado, inclusive prejudicando severamente o Turismo na região, especialmente na Serra do Tepequém, que em verões rigorosos nos últimos anos já foi tomada pelo fogo e fumaça gerada por grandes incêndios.

Por isso, tanto o Estado quanto as administrações municipais precisam estar atentas para adotar medidas integradas de vigilância e monitoramento a fim de antecipar cenários de tragédia e oferecer respostas coordenadas e eficientes para reduzir os riscos associados ao avanço do fogo e à escassez hídrica que historicamente afeta essa e outras regiões.

Historicamente, a fumaça de queimadas impacta severamente as populações não só do interior, mas também da Capital, com a elevação da incidência de doenças respiratórias, além de outros impactos na saúde de quem mora nas regiões afetadas pelo fogo, geralmente em regiões isoladas que registram grandes perdas econômicas na pecuária, agricultura, turismo e outros setores.

Torna-se necessário que haja suporte técnico para que os municípios elaborem seus próprios planos de contingência, com articulação imprescindível com a Defesa Civil, órgãos ambientais e outras instituições necessárias para o enfrentamento às secas e o fogo. Não há motivos para adiar as decisões, pois as chuvas começaram a reduzir em todo o Estado e a estimativa de uma seca histórica já vem sendo anunciada há um certo tempo.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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