
O que aconteceu com o Campo dos Girassóis do AgroBV 2026, evento municipal do agronegócio que está sendo realizado no Centro de Difusão Tecnológica (CDT), na região do Bom Intento, só confirma os fortes reflexos do fenômeno El Niño em Roraima, que se instalou em julho, conforme vêm anunciando os especialistas no clima mundial, com tendência de se intensificar nos próximos dias.
O inverno roraimense começou com fortes chuvas, atingindo várias regiões, incluindo a Capital, mas que logo foram amenizando até se tornarem chuvas esparsas, insuficientes para sustentar o clima típico do período, atingindo seriamente a agricultura. O campo de girassóis, na zona rural de Boa Vista, foi um dos atingidos por essa instabilidade de um inverno que se despediu mais cedo, ainda no início de julho.
O resultado foram girassóis que não se desenvolveram o suficiente, uns brotando dentro da época e outros que simplesmente não floriram ou não se desenvolveram conforme o esperado. A consequência foi uma plantação mirrada de girassóis, decepcionando os visitantes do AgroBV, que têm nessas flores um momento especial instagramável a cada ano durante o evento que se tornou tradicional, inclusive movimentando o mercado da moda na Capital.
Mas não é só esse cenário que representa fielmente os reflexos do El Niño no Estado. Quem sai de Boa Vista pode observar, nas cercanias de Boa Vista, às margens do trecho norte da BR-174, nas proximidades da localidade conhecida como Oasis, o plantio de milho que pela primeira vez não prosperou e começou a secar devido a essa instabilidade do regime de chuvas.
Tudo dentro das projeções climáticas dos especialistas que afirmaram que o fenômeno El Niño estava se intensificando e com alta probabilidade de atingir intensidade forte ou muito forte já partir de agosto, que começa neste sábado, seguindo até dezembro. As estimativas não são nada boas para a população, a economia e o meio ambiente.
A previsão é de redução das chuvas nas regiões Norte e Centro-Oeste, temperaturas acima da média em grande parte do país e aumento do risco de incêndios florestais, especialmente na Amazônia, no Cerrado e na Caatinga. No Sul, as tragédias ambientais se apresentaram em forma de ciclone e frente fria, com previsão de chuvas intensas, ventos fortes e risco de desastres em diversos estados, especialmente Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Em Roraima, apesar das consequências negativas observadas nesse momento no Campo de Girassóis e plantios de milho na zona rural de Boa Vista, o pior ainda está por vir, com seca de lagos, rios e igarapés nos lavrados roraimenses, seguido de queimadas e incêndios florestais, em cenários de tragédias que conhecemos muito bem de outros tempos de verões rigorosos com secas severas.
*Por Jessé Souza
