As facetas da ‘nova política’ e do ‘não político’ prometidos como salvação do país



Assim como a chamada “nova política” prometida pelo bolsonarismo foi sepultada antes mesmo de nascer, tendo como o golpe fatal a entrega do governo para o fisiologismo do Centrão, da mesma forma pode-se dizer da figura do “não político” que tanto arrebanhou eleitores encantados com tudo o que estava sendo prometido.

Em Roraima, a figura do “não político” foi representada pela campanha do empresário do agronegócio Antonio Denarium (PP), eleito governador na esteira do bolsonarismo, prometendo unir a “nova política” com a figura do “não político”. Mas tudo não passou de promessa.

O novo governador se aliou a forças históricas da velha política roraimense, fatiando seu governo em troca não apenas de governabilidade, mas principalmente para garantir um grupo que o abonasse e garantisse sua candidatura a reeleição. Da mesma forma como outros governadores sempre fizeram também.

Outro que se elegeu da mesma forma, pregando a figura do “não político” e se valendo da onda bolsonarista, foi o policial rodoviário federal Antonio Nicoletti (UB), mas que logo se identificou tanto com a política tradicional que, na metade do seu mandato como deputado federal, se candidatou a prefeito de Boa Vista.

Atualmente, em novo partido, Nicoletti está junto e misturado com Denarium e os demais grupos que apoiam o governo estadual na partilha de secretarias e órgãos em troca de apoio político para as eleições deste ano, tudo como manda o figurino da velha política. Assim como foi feito com o Detran, a Sesau, a Caer, a Sefaz, a Codesaima, além de outros setores do governo.

Mas tudo isso está dentro do que é permitido no jogo político e democrático, sem qualquer rótulo de “legal, porém imoral”. A política tem disso e muito mais, tudo dentro das quatro linhas – só para usar uma frase do bolsonarismo que abraçou a “velha política” como se nunca tivesse ocorrido uma promessa de “nova política”.

Os integrantes desse novo grupo estão jurando que fizeram uma “limpeza na Assembleia Legislativa de Roraima”, mesmo que lá ainda tenha pelo menos quatro deputados cassados que continuam normalmente, como se fizessem parte dos novos arautos da Justiça e da moralidade.

Definitivamente, não haverá “nova política” nem muito menos a ingenuidade de achar que o “não político” era a peça que iria se encaixar com uma nova forma de se fazer política no país. Foi apenas um delírio quase coletivo, especialmente do eleitor roraimense que acreditou em tudo isso.
Mais que nunca, estamos todos de volta ao modo “salve-se quem puder”. E assim será nas eleições deste ano…

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