O anúncio do empresário Antônio Parima de não mais apoiar politicamente o governo Denarium (PL), alegando insatisfação com as alianças feitas com determinados grupos políticos, foi o fato mais importante da semana, que começou a encaminhar a disputa ao Governo do Estado deste ano.
Desde que assumiu, prometendo mudança na forma de fazer política, surfando na onda bolsonarista que anunciou a “nova política”, Denarium tem desagradado aliados e uma grande parte de eleitores que realmente acreditaram que estariam enterrando a “velha política” ao elegerem um “não político”.
De lá para cá, o governador não só abandonou o discurso da “nova política” como optou por fatiar seu governo a antigos políticos que sempre se beneficiaram da “velha política”, cuja insatisfação máxima do eleitor pôde ser sentida nas eleições municipais em que o grupo governista foi severamente reprovado.
Assim como vem ocorrendo em nível nacional, a realidade local já havia mostrado que a “nova política” foi apenas um engodo; na melhor das hipóteses, um sonho que nunca chegou a ser concretizado ou ao menos tentado, pois as eleições municipais e a seguidas trocas de secretários de Saúde mostraram que a “velha política” é quem continua mandando a todo vapor.
O descontentamento do empresário Parima com o atual governo já havia sido externado nas eleições municipais, quando Denarium fez uma aliança com antigos atores em troca de apoio a sua candidatura para a reeleição, cujo grupo foi inesperadamente nocauteado com a operação da Polícia Federal no caso do dinheiro na cueca, em que está sendo investigado o desvio de recursos destinados para o combate à Covid-19.
Agora, Denarium terá que prestar conta com seu eleitorado, que apostou em um novo governo que realmente tirasse o Estado do buraco em que ele vem afundando há um certo tempo, sem a resolução dos principais problemas. Ao assumir, o argumento é que ele havia recebido um governo destroçado. Logo em seguida, veio a pandemia quando muitas ações deixaram de ser realizadas.
Então, no último ano de governo, quando várias ações foram anunciadas, está sendo desenhado um inverno rigoroso, quando muitas obras não podem ser realizadas ou concluídas, ou sequer iniciadas. As vozes que vêm do interior reclamam principalmente das condições das estradas.
A vergonhosa situação da BR-174, do Amazonas à Venezuela, ou seja, do Sul até o Norte, tornou-se um crônico problema que respingará em todos, pois a bancada federal, em Brasília, cuja maioria é da base governista, não mostrou o menor interesse em cobrar e fiscalizar, apesar do intenso tráfego devido às exportações de alimentos para o país vizinho.
Na Capital e no interior, a saúde pública ainda é um grande problema, com quase uma dezena de secretários substituídos ao longo de três anos, alguns deles em experimento de alianças políticas. A pandemia deu uma trégua, mas o governo, e a própria Assembleia Legislativa, que está nas mãos dos governistas, têm insistido em prosseguir com um decreto de calamidade pública na saúde que não se sustenta à luz dos fatos.
Agora, quem dirá o que vai acontecer daqui para frente é o eleitor roraimense, que irá avaliar e julgar o Estado que ele quer a fim de garantir o bem-estar de todos. Mas, desta vez, sem ser iludido pela imagem de um “não político” ou de uma “nova política” que nunca existiu em nenhum momento. Esse discurso não cola mais.
