
Um casal de empresários sulistas do agronegócio veio ao Estado de Roraima pesquisar a possibilidade de investimentos, na semana passada, mas encontrou um cenário desalentador, com o governador cassado pela Justiça Eleitoral. Os dois aproveitaram o momento político negativo e desfavorável ao investimento para turistar e conhecer a Serra do Tepequém, no Município do Amajari, o único ponto turístico consolidado de Roraima.
Com um carro alugado, deu tempo para constatar pessoalmente a terrível situação da buraqueira no trecho norte da BR-174 e o vergonhoso trabalho de tapar buraco com barro na RR-203. Na noite que iriam pegar o voo de volta, com certeza ainda houve tempo de receber a notícia de que a Polícia Federal encontrou uma montanha de dinheiro em sacos de lixo, no total de R$3,2 milhões, na casa de um empresário que ganhou licitação no valor de R$16 milhões na Universidade Estadual de Roraima (UERR).
Quem vê de fora tem mais condições de analisar friamente a realidade. E foi essa impressão daquele casal de empresários: uma terra promissora, mas arrasada por uma política encruada nas práticas antigas, entre as quais a corrupção. O governador foi cassado pela farta distribuição de cestas básicas, mas ainda há outras ações que apontam um derramamento de uma dinheirama durante a campanha eleitoral.
A corrupção endêmica provoca esses reflexos altamente negativos, como reduzir a credibilidade e o fluxo dos investimentos, prejudicar a eficiência da administração pública, reduzir a produtividade do investimento público, facilitar as atividades do crime organizado e desestimula o investimento privado.
O casal de empresários pegou o voo de volta sem participar de uma reunião de negócios, a qual perdeu o sentido com a cassação do governador. Levou boas lembranças de uma Capital bem organizada e acolhedora, além de um Turismo promissor em Tepequém, ainda que incipiente, sob fartos elogios de quem conhece outras regiões turísticas do país.
A apreensão dos R$3,2 milhões é emblemática, pois a PF aponta que esse dinheiro seria usado para pagar propina. Como é de conhecimento público, a propina é a desgraça da política, pois nada avança quando parte dos recursos públicos direcionados a obras e investimentos é desviada por esses esquemas corruptos. Da mesma forma que as campanhas eleitorais compram o voto do povo, seja em dinheiro vivo ou por meio de cestas básicas.
Os demais reflexos dessa política nefasta, em Roraima, podem ser vistos nas notícias diárias da imprensa: estradas em desgraça, criminalidade galopante, crime organizado mostrando seu poderio e denúncias recorrentes de desmandos na política, com obras paralisadas, escolas fechadas e outras situações não menos preocupantes diante de um governo na corda bamba da cassação que ainda será confirmada em última instância judicial.
