Um novo cenário se desenhando a partir do Sul e cesta básica para o povo

Município de Rorainópolis está no centro da disputa por ser o segundo maior colégio eleitoral roraimense (Foto: ROSI FIGUEIRA)

Há muito tempo que os políticos têm o Sul de Roraima como estratégico para as suas campanhas eleitorais, até porque o Município de Rorainópolis é o segundo maior colégio eleitoral roraimense, obviamente depois da Capital, Boa Vista. É estratégico para captação de votos, mas nunca para apresentar àquela região, que fica mais perto do Amazonas do que para as demais regiões do Estado, um projeto de desenvolvimento.

É assim, pensando apenas em captar votos, que alguns políticos tradicionais que seguem no poder até hoje conseguem alcançar votação suficiente para os seus propósitos partidários e de grupo. E são eles que se tornaram uma espécie de coronéis da velha política, que abonam as eleições de prefeitos e vereadores, os quais são seus subordinados e que a seus chefes devem dizer “amém”.

Mediante os fatos, a região Sul segue historicamente com as mesmas mazelas, seja inverno ou verão, e seja sob qual cor partidária alcance as chaves dos cofres públicos no Palácio Senador Hélio Campos. Mas um novo cenário começou a se desenhar nos últimos anos, especialmente a partir da ausência quase que completa do poder público local.

O vácuo institucional permitiu a construção de um poder paralelo advindo não apenas do Estado vizinho e do Pará, especialmente madeireiros, facções criminosas e o tráfico de droga internacional. As últimas operações policiais, com grandes apreensões de drogas, mostram a ponta da grande bomba que começou a ser montada por lá.

O obviamente que a política partidária começou a se moldar para sobreviver e se reinventar a este novo cenário, em que a população continua desassistida e desesperançada, mas dentro de uma realidade em que os políticos locais ficam mais ricos e em que outros poderosos começam a dar as ordens. E foi assim que políticos amazonenses começaram a migrar para Roraima – e com certo êxito.

Já existe uma grande movimentação antecipada dos grupos para disputar as prefeituras do Sul de Roraima, especialmente Rorainópolis, estratégico não somente porque é o segundo maior colégio eleitoral, mas por abrigar a nova realidade que está sendo construída por lá, onde fazendas e outras grandes propriedades abrigam os interesses dos novos poderosos que emergiram nos últimos anos.

Enquanto isso, as velhas práticas seguem por lá para captar votos. A decisão da Justiça Eleitoral, que cassou o mandato do prefeito de São Luiz do Anauá, James Batista, é o exemplo cabal. Ele perdeu o mandato por distribuir cestas básicas, dinheiro e viagens turísticas para o povo. Nada de novo dentro de um Estado que tem o governador cassado também por distribuição farta de cesta básica e que responde a outros processos por abuso de poder na compra de voto.

As eleições no Sul do Estado devem ser alimentadas por essas disputas entre o novo poder paralelo e os antigos coronéis, pela cassação de mandato e a farta compra de voto. E o povo deverá esquecer novamente que, historicamente, está abandonado pelo poder público e punido pela ausência de um projeto de desenvolvimento. Talvez até esqueça também das operações policiais que já ocorreram por lá e que ainda deverão ocorrer.  

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