
O Estado de Roraima vive um momento perigoso e crucial em que as operações da Polícia Federal e da Polícia Civil mostram que a corrupção eleitoral se conecta com o tráfico de droga e o garimpo ilegal, o qual podemos chamar de narcogarimpo. No entanto, a sentença proferida pela Vara da Entorpecentes e Organizações Criminosas de Boa Vista, na terça-feira, 17, parece percorrer uma contramão da realidade dos fatos.
Mesmo que o tráfico de drogas seja considerado um crime hediondo no Brasil, a sentença proferida ao sobrinho do governador, Fabrício de Souza Almeida, trata-se de um despropério. O empresário foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto (isso mesmo: semiaberto!) pelos crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Foram usados atenuantes que parecem incompatíveis com a gravidade dos fatos, pois Fabrício foi preso em flagrante, pela Polícia Civil, em maio deste ano, com 79,7Kg de Skunk, considerada a supermaconha, e com armamentos pesados que mais parecem um arsenal de guerra. Não foram quaisquer armas. Havia fuzil e até metralhadora, além de fartas munições, entre elas ogivas, o que indica que exista algo mais do que simples tráfico passível de um semiaberto.

A Polícia Civil apreendeu na casa dele o seguinte armamento: um fuzil Taurus T4 dourado com luneta de precisão e cinco carregadores, um revólver Taurus calibre 38, uma pistola Taurus calibre 9mm, um revólver Taurus Calibre 357, uma metralhadora MT 40, uma espingarda, uma pistola Glock G-19 calibre 9mm e uma pistola Glock G-17 calibre 9 mm.
Veja a lista de munições e acessórios: 60 munições calibre 9mm; 2 cintos com velcro; 53 tubos cilíndricos ocados de chumbo; 1 pacote com 33 projéteis (ogivas); 1 pacote de ogivas com 3,5 kg; 6 coldres de arma de fogo;
1 frasco com pólvora; 1 pacote de projétil calibre 556 com 500 unidades; 92 munições calibre 40; um aferidor de calibre; 2 lunetas de precisão; 2 pacotes de projéteis com aproximadamente 6 kg; e 14 munições calibre 357;
Tem mais: 4 carregadores calibre 40; 53 munições deflagradas calibre 357; 16 munições calibre 38; 5 pacotes de projéteis com aproximadamente 4,5 kg; 2 porta carregadores; 40 munições deflagradas calibre 9 mm; 130 trinta munições deflagradas calibre 40; Um cinto com 4 porta carregadores; 4 carregadores de pistola calibre 9mm; 92 calibre 12; 84 munições deflagradas calibre 38; 20 munições deflagradas calibre 380; e 3 carregadores 9mm para 14 munições.
Como se pode notar, há um visível abrandamento da pena diante de inegáveis provas materiais representadas por um arsenal apreendido pela polícia e apresentado à Justiça. O mínimo que o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), que é o autor da denúncia, pode fazer (e já o fez) é recorrer da sentença na tentativa de aumentar a pena.
Estamos diante de uma realidade que não pode ser tolerada, na qual não só a política mostra-se contaminada por essa tríade corrupção-tráfico-garimpo, mas também a alta cúpula da Polícia Militar investigada pela Polícia Federal. A Justiça não pode ficar inerte diante dos fatos, pois a impunidade e/ou o abrandamento das punições só favorecem essa contaminação.
*Por Jessé Souza
