Crise na saúde, com dívidas e serviços suspensos, enquanto orçamento mostra outra realidade

A realidade que vem sendo exposta pela imprensa a respeito da saúde pública estadual não condiz com a verdade dos números. Não apenas médicos e fornecedores que denunciam que estão sem receber o pagamento da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).

Agora a população passou a reclamar da suspensão de cirurgias e exames no Hospital Geral de Roraima (HGR), além de profissionais de saúde que expõem nas redes sociais dificuldades a falta de condições de trabalho. No entanto, todo esse barulho intensificado nas últimas semanas não condiz com os dados do Portal de Transparência do Governo de Roraima.

 Conforme os dados (que podem ser conferidos  no endereço https://www.transparencia.rr.gov.br/empenho), a Sesau já empenhou R$ 925,8 milhões apenas no início de fevereiro de 2025.  A liberação do orçamento no sistema ocorreu no dia 29 de janeiro passado, indicando a existência de recursos disponíveis.

Então, o que está acontecendo na saúde pública em que a realidade não confere com o que os números dizem? Se tem dinheiro em caixa, por que a Sesau está sendo denunciada por não pagar seus fornecedores? As recorrentes denúncias apontam que atrasos nos pagamentos afetam sobremaneira o atendimento à população, que é o principal penalizado.

Conforme foi publicado, devido à falta de pagamento, fornecedores de insumos hospitalares falam sobre a possibilidade de novas paralisações, o que significa que poderá haver descontinuidade dos serviços de saúde em todo o Estado. É necessário que os órgãos fiscalizadores estejam atentos a esta séria questão sobre a transparência na gestão dos recursos públicos na saúde.

É preciso que as autoridades expliquem o que está sendo prioridade na saúde estadual e quais são as destinações do orçamento da Sesau diante de pacientes na fila de espera de cirurgias e de profissionais de saúde ameaçando paralisar por falta de pagamento do salário e diante da incerteza se continuarão recebendo seus vencimentos em dia.

A população não pode ser penalizada, mais uma vez, com os problemas que afetam a saúde pública em um Estado que faz de tudo para privatizar o setor. Ou essa precarização que está sendo exposta faz parte desse grande plano de entregar a saúde pública nas mãos de empresas privadas? A sociedade merece uma resposta urgente das autoridades, pois é a vida das pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) que está em jogo.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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