
Vamos dar um pequeno pulo na guerra que os Estados Unidos (EUA) e Israel declararam contra o Irã, a qual também tem provocado fortes reflexos no papel da imprensa nesse novo mundo que está sendo remodelado. A principal lição é que não importa apenas noticiar o que está ocorrendo, mas também contextualizar e informar o que está por trás das notícias.
Sim, uma informação é mais ampla e pode incluir dados e conhecimentos gerais e amplos, enquanto a notícia é específica e sobre fatos recentes ou momentâneos, divulgados no calor dos acontecimentos. Todos os principais veículos do mundo estão noticiando em tempo real o que está ocorrendo na guerra. Mas quase nenhum está informando os fatos com seus reflexos e consequências para o mundo nem o que há de anacrônico nele.
Acossada pelas redes sociais cada mais estruturadas por algoritmos, a imprensa corre contra o prejuízo no papel de noticiar diante da rapidez dos perfis nas redes sociais que não têm nenhum compromisso com a informação, desconsiderando todo o conjunto de conhecimentos sobre algo ou sobre um fato. Para muitos, bastou noticiar e deixar que a opinião pública se vire para analisar, filtrar, contextualizar e refletir criticamente.
Importante destacar que toda notícia é uma forma de informação, mas nem toda informação é uma notícia. Fundamental destacar é que, na produção de uma notícia, o jornalista não tem tempo nem espaço para transmitir toda informação sobre um fato, pois o que é apurado passa a ser selecionado e editado para se tornar uma notícia, a qual a linha editorial de um determinado veículo considera factual e relevante para o seu público naquele momento.
É desta forma que as notícias sobre a guerra são divulgadas. Os maiores veículos de comunicação do mundo não estão deixando de noticiar o que está ocorrendo, mas nem todos estão repassando as informações necessárias para o mundo entender que um sistema está ruindo e um novo modelo de mundo está sendo estruturado a partir da incerteza da geopolítica e do caos das bombas.
Na guerra de audiência, existe ainda outro fator preponderante que define o que será mais lido ou assistido: o algoritmo, que não tem sentimento ou filtro sobre verdade ou mentira. É por aqui que as informações já saem perdendo para as notícias momentâneas, cada vez mais enxutas, diretas e mais rápidas e, por conseguinte, mais engajadas, o que significa mais audiência.
Nem adianta reclamar ou protestar sobre notícias embaladas para enganar ou confundir, pois qualquer comentário de ativismo de protesto ou de indignação, nessas postagens, é entendido pelo algoritmo como engajamento e, portanto, mais recomendado a um número cada vez maior de internautas/consumidores. Aquilo que ninguém comenta, curte ou compartilha é entendido pelo algoritmo como não digno de interesse e impulsionamento.
Se antes a imprensa tradicional já selecionava o que iria ser audiência baseada no que é sensacional e espetacular ou surreal, nessa atualidade em que as redes sociais já fazem isso de forma mais rápida e inteligente, então a saída tem sido entreter a opinião pública com mísseis e drones explodindo do que explicar as consequências dessa guerra insana para o mundo.
É por isso que, na política atual, muitos veículos de comunicação estão optando em transformar tudo em meme ou fofoca, propositalmente deixando de informar o que está por trás das decisões e a consequência de todo barulho das negociações partidárias para a vida das pessoas. Noticiar sem contextualizar faz parte de um sistema que resiste para não ruir junto com as bombas que estão caindo no Oriente Médio.
O velho sistema esperneia para manter tudo como está, como se tudo fosse uma guerra do bem contra o mal, da direita contra esquerda…
*Por Jessé Souza
