Colonização foi marcada por aldeamentos e opressões aos indígenas, provocando uma forte reação que culminou, em 1790, na Revolta da Praia do Sangue, quando os indígenas enfrentaram os portugueses e foram massacrados

Em 19 de abril, o Brasil celebra o Dia dos Povos Indígenas, data esta que marca o aniversário do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu no México em 1940 e discutiu uma série de medidas para a defesa dos povos indígenas em países das Américas. O dia foi oficializado no calendário brasileiro pelo presidente Getúlio Vargas em 1943. Trata-se de uma data oportuna para discutir as culturas dos povos indígenas e lembrar também como o Estado de Roraima surgiu sob o sangue indígena.
Importante ressaltar que a História de Roraima, quanto à sua ocupação, pode ser dividida em quatro períodos: de 1750 a 1800, de 1800 a 1890, de 1891 a 1943, e a partir de 1943. De 1750 a 1800, o que ocorreu em relação à colonização foi a tentativa de aldeamento dos indígenas, concentrando-os em povoações como as de Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora da Conceição, São Felipe, Santa Bárbara e Santa Isabel.
As regras do colonizador para esses aldeamentos humanos eram duras e injustas com os indígenas, que não estavam acostumados a viver desse modo. Por causa da privação de liberdade, os indígenas se revoltaram. O acontecimento culminou, em 1790, num episódio que entrou para a História como a Revolta da Praia do Sangue, quando os indígenas enfrentaram os portugueses e foram derrotados. Os que fugiram foram feitos prisioneiros, inclusive o líder indígena Parauijamari que, depois de capturado, foi morto para servir de exemplo.
O fato histórico ficou conhecido por sua violência e, segundo relatos, tingiu de vermelho as águas do Rio Branco. A notícia dessa revolta correu entre os vilarejos. Não satisfeito, o governador da província João Pereira Caldas, sediado em Belém do Pará, resolveu declarar guerra aos indígenas.
Os capturados recebiam como punição uma marca a ferro quente. Quando a notícia chegou a Portugal, a Coroa resolveu trocar o governador e conceder anistia. Em 1794, ao som dos tambores, o perdão foi anunciado aos insurretos do Rio Branco na praça principal de Barcelos e afixado no forte São Joaquim do Rio Branco.
O período seguinte, de 1800 a 1890, prosseguiu com a opressão dos nativos pelos colonizadores, e foi marcado pela iniciativa de Manoel da Gama Lobo d’Almada de introduzir o gado nos campos naturais, o que atraiu brasileiros de outras regiões do País.

Os nordestinos acossados pela seca de 1877 vieram aventurar-se nas terras do Rio Branco. Esses novos habitantes dedicaram-se principalmente à pecuária, mas se limitavam a criar o gado solto no campo, nas terras que julgavam devolutas.
Como não tinham mão de obra que bastasse e suas fazendas não eram autossuficientes, dependiam dos indígenas para as lides do campo e para a complementação alimentar. Trocavam com eles carne de boi por farinha de mandioca.
Os indígenas, por sua vez, logo se tornaram vaqueiros de rara habilidade, embora até então desconhecessem o gado bovino. O gado criado solto no Rio Branco era vendido em Manaus (AM) e transportado por via fluvial durante o inverno.
Havia uma espécie de escambo: os fazendeiros recebiam dos “aviadores” de Manaus as mercadorias de que necessitavam para sua manutenção anual e pagavam com boi. O transporte entre Manaus e os portos de embarque próximos às fazendas era feito por “batelões” acoplados a rebocadores conhecidos como “motores de linha”.

Dessa época para frente, o Forte São Joaquim entrou em decadência, e dos povoados antigos apenas o de Nossa Senhora do Carmo sobreviveu. Neste lugar o capitão Inácio Lopes de Magalhães, ex-comandante do Forte, criou a fazenda Boa Vista, que cresceu e se modificou, dando origem à cidade de Boa Vista.
Por essa razão, o capitão Inácio Lopes de Magalhães é considerado o fundador de Boa Vista. O período entre 1891 e 1943 assistiu ao florescimento do Município de Boa Vista do Rio Branco, criado em 9 de julho de 1890 por ato do governador do Amazonas Augusto Ximeno de Ville Roy.
Com a criação do município, a governança local passou a ser exercida por um superintendente (prefeito). O primeiro a ser nomeado para esse cargo foi João Capistrano da Silva Mota que, embora fosse sargento da Guarda Nacional, ficou conhecido como “Coronel Mota”.
Em 1938, o nome original de Boa Vista do Rio Branco foi simplificado para apenas Boa Vista, por força de lei estadual amazonense, que estabeleceu uma nova divisão administrativa e judiciária para o Estado e dividiu o município em três distritos: Boa Vista, Caracaraí e Murupu.
Nesse período, Boa Vista dependia unicamente do gado que produzia. Em 1943, por uma decisão unilateral do presidente Getúlio Vargas, foi criado o Território Federal do Rio Branco.
Na verdade, Vargas não foi original. Ele seguiu conselhos de várias pessoas, entre elas o naturalista norte-americano Louis Agassis que, depois de percorrer as terras banhadas pelo Rio Amazonas, afirmou que o governo dessas províncias “poderia ser organizado como aqueles dos territórios que, nos Estados Unidos, são embriões dos Estados. Ele estimularia as energias locais e desenvolveria os recursos, sem embaraçar a ação do Governo Central”.
O governador era nomeado pelo presidente da República, e este nomeava o prefeito da única cidade e capital, Boa Vista. Em 1955 foi criado o segundo município de Roraima, Caracaraí, e também para ele o governador nomeava o seu prefeito.
O primeiro a governar Roraima foi o capitão de cavalaria Ene Garcez dos Reis, responsável pela implantação do Território Federal e pela condução dos primeiros passos do novo ente federativo. O primeiro lugar de trabalho do governador foi a Prelazia do Rio Branco, uma espécie de mosteiro de beneditinos que, à época, era o único prédio digno construído em alvenaria na cidade.
Leia publicação completa: De caçadores de indígenas ao El Dorado: saiba mais sobre a História de Roraima – RORAIMA DE FATO
Fonte: Fonte: História de Roraima – Guia Turístico do Governo de Roraima 2009
